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Luciano Amaral

Outra vez 2011?

Marcelo receia de alguma maneira um segundo resgate. Ninguém ligou a isto.

Luciano Amaral 3 de Outubro de 2016 às 00:30
Marcelo disse há uns dias que 2016 e 2017 ‘não podiam ser iguais a 2011’. Como, ao contrário do anterior Presidente, não é dado a conversas encriptadas, dispensa-se a ‘marcelologia’ para perceber a mensagem: 2011 foi o ano do resgate e da chegada da troika; quer isto dizer que Marcelo receia de alguma maneira um segundo resgate. Curiosamente, ninguém ligou a isto.

A declaração e a reacção a ela ilustram o grande problema do estilo de presidência de Marcelo: tanto beijinho, tanta medalha, tanta presença nos mais irrelevantes eventos pelo país fora, tanto discurso sobre tudo e sobre nada, tanta opinião tornaram a sua presença e a sua palavra uma moeda barata. Marcelo transformou-se numa espécie de ruído de fundo da política portuguesa: anda sempre por aí, mas já não se lhe presta atenção. Uma pessoa liga a televisão, vê um qualquer telejornal e logo diz: ‘olha, o Marcelo’ e, acto contínuo, recosta-se no sofá para um cochilo abençoado pela reconfortante omnipresença do Presidente.

Contudo, a intervenção de Marcelo não foi só importante por voltar a colocar o segundo resgate no horizonte, mas também por constatar o falhanço da política de crescimento económico da ‘geringonça’. A que ainda juntou avisos sobre o défice. Num certo sentido ainda bem que ninguém liga muito a Marcelo. Na boca do anterior Presidente, as suas palavras já teriam dado origem a um conflito qualquer com o Governo capaz de pôr os famosos mercados em pânico. Mas por outro lado é uma pena perder-se semelhante oportunidade para discutir o caminho económico do país.
Se juntarmos a esta desvalorização do famoso ‘magistério da palavra’ a desvalorização do veto político, que Marcelo usa como nenhum outro Presidente, corremos o risco de chegar o dia em que as duas armas não estarão disponíveis no seu arsenal de regulador do sistema. Não seria nada bom.
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