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Luciano Amaral

Paris já está a arder?

Quem achava que o que havia era mau, talvez seja melhor preparar-se para algo ainda pior.

Luciano Amaral 17 de Abril de 2017 às 00:30
É já no domingo a primeira volta das eleições presidenciais francesas, mais um acto eleitoral aguardado em pânico pela Europa fora. A narrativa do horror era, até há dias, bastante simples: com Marine Le Pen à frente nas intenções de voto, tratava-se de saber, por um lado, se, mesmo ganhando a primeira volta, seria capaz de ganhar a segunda e, por outro, qual seria o melhor candidato para impedir essa sua possível vitória definitiva.

Com as hipóteses do candidato socialista Benoît Hamon destruídas pela trágica presidência Hollande e as de François Fillon, o candidato republicano, comprometidas por um escândalo nepotista, a grande esperança do ‘sistema’ passou a ser Emmanuel Macron, um independente ideologicamente ambíguo, mas respeitador no essencial dos consensos políticos franceses: Europa e Estado Social. Acontece que nos últimos dias apareceram novas tendências nas intenções de voto: Macron apanhou Le Pen, mas ambos desceram, isto enquanto subia o inesperado Jean-Luc Mélenchon, um radical de esquerda que propõe acabar com o sistema presidencialista e o programa nuclear francês e que propõe ainda retirar a França da NATO e organizar um referendo sobre se a França deve ou não ficar na União Europeia.

De repente, a narrativa do horror passou a ser outra: e se, na segunda volta das eleições, em vez de um candidato ‘anti-sistema’, Le Pen, contra um candidato do ‘sistema’ que teria todas as possibilidades de ganhar, houver dois candidatos ‘anti-sistema’, Le Pen e Mélenchon?

De um cenário de ‘horror’ com saída ‘sistémica’ passámos para dois cenários de ‘horror’ sem saída ‘sistémica’. Tal como se apresentam as intenções de voto, até pode haver dois candidatos ‘sistémicos’ na segunda volta, Macron e Fillon. Mas é tudo muito incerto. Quem achava que o que havia era mau, talvez seja melhor preparar-se para algo ainda pior.
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