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Luciano Amaral

Recta final

Costa defendeu tudo e o seu contrário, até ninguém saber o que faria no Governo.

Luciano Amaral 31 de Agosto de 2015 às 00:30
Começam amanhã os debates entre os chefes dos partidos concorrentes às eleições legislativas de 4 de Outubro. Qual é o panorama, agora que entramos na recta final a caminho da decisão? É muito diferente daquele que ainda há pouco tempo se podia esperar. De facto, há mais ou menos um ano, a coligação PSD-CDS parecia condenada: era detestada, por causa da austeridade, e via a sua credibilidade minada por diversos escândalos ("vistos gold", "Tecnoforma"...). Por outro lado, o PS parecia a caminho de uma vitória sem espinhas: num ambiente meio sebástico, António Costa candidatara-se a secretário-geral do PS e toda a gente esperava uma carpete vermelha estendida até às eleições deste ano.

Um ano depois, tudo isto desapareceu. Costa ainda conseguiu, nos primeiros meses à frente do PS, alcançar bons valores nas sondagens. Mas rapidamente começou a esvaziar. Hoje, está taco a taco com a coligação. O que se passou? Várias coisas. A principal talvez tenha sido a sua indefinição. Durante o último ano, Costa defendeu tudo e o seu contrário, até chegarmos ao ponto, agora, de ninguém saber o que faria no Governo. Depois, houve a prisão de José Sócrates, que o colocou no foco das atenções pelas piores razões: ia agarrar a causa do antigo primeiro-ministro ou deixar o processo correr o seu curso? Ainda agora se espera para ver o que se passará quando, pouco antes das eleições, for revista a prisão preventiva a Sócrates. Finalmente, também não veio grande ajuda de lá de fora, sobretudo por causa da espectacular conversão do Syriza à austeridade (depois de François Hollande e Matteo Renzi). Eis algo que convenceu toda a gente de que, nos países do euro em crise, não há alternativa política.

Ora, se não há alternativa, talvez mais valha a pena deixar lá a coligação, que provou ser capaz de seguir a cartilha da austeridade com a competência necessária, pensarão muitos eleitores.

O resultado das eleições parece, portanto, indeterminado. Mas os portugueses não deixarão de penalizar a falta de alternativas. A penalização aparecerá na forma de uma eleição sem maioria absoluta. Hão-de seguir-se muitos apelos ao Bloco Central. Pelo que as presidenciais ganham importância decisiva, já que o Presidente da República terá de ser interventivo. Mas quem são os candidatos?
opinião luciano amaral
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