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Luciano Amaral

Rio com regresso

O mais provável é que Rio venha a ser o candidato do PS e PSD. O PS não o apoiará de forma explícita.

Luciano Amaral 1 de Junho de 2015 às 00:30

Parece que Rui Rio decidiu finalmente avançar para a Presidência. Depois da vaga dos líricos (Nóvoa, Morais, Neto & Cª Lda.), que não sabem muito bem para que serve a Presidência, aproxima-se, enfim, alguém que o sabe perfeitamente. Nem por isso (ou talvez até por isso) devemos abrandar a vigilância. As razões são várias.

Primeiro, Rio tem ideias de ‘reforma do regime’. Ainda não se percebeu muito bem quais, mas, existindo um primeiro-ministro com quem se entenda, sabe-se lá o que dali pode vir. António Costa, por exemplo, um dos possíveis primeiros-ministros, propõe-se, entre centenas de outras coisas, introduzir círculos eleitorais uninominais. Seria uma grande reforma. A qual merece grande discussão pública. É esta a reforma em que Rio também pensa?

Além disso, Rio acha que o Presidente da República deve intervir mais no cenário político. E isto acontece numa altura em que é provável que o futuro Presidente tenha mesmo de intervir mais. Porque, tal como as coisas estão, não deverá haver maioria parlamentar estável e, não havendo, o Presidente terá de andar a orquestrar arranjos políticos. Ora, Rio era, para aí há oito meses, apontado pelo comentarismo como parte de um duo dinâmico, em conjunto com Costa, visando criar qualquer coisa do tipo do Bloco Central. Acontece que este Bloco Central é para muita gente (como o actual Presidente) um horizonte mítico da nossa democracia. Para eles, é mesmo a única forma de a salvar, no meio da tempestade que atravessamos.

Se Costa ganhar as legislativas, Passos Coelho vai-se e regressa o PSD com que Rio se entende. Se Rio ganhar então as eleições, está criado o ambiente para o dito Bloco Central. Mais uma vez, é um cenário político cujas implicações, nomeadamente em termos de redução do pluralismo, convém ter presentes.

O mais provável, portanto, é que Rio venha a ser o candidato do PS e PSD. O PS não o apoiará de forma explícita, claro. Nominalmente, terá um candidato de esquerda (Nóvoa, por exemplo), mas empenhar-se-á pouco por ele. Na prática, desejará a vitória de Rio. Já Passos, com Rio, ganhará sempre: se perder as eleições, Rio ficará aí para azucrinar a próxima direcção do partido e não a ele; se ganhar, Rio não terá alternativa senão apoiá-lo no Governo.

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