Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
3
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Luís Campos Ferreira

Igualitariamente pobres

É quase infantil a forma como um certo PS se deixa seduzir por discurso à Robin dos Bosques.

Luís Campos Ferreira 22 de Setembro de 2016 às 01:45
Numa altura em que a actual facção dominante do PS tem, ideologicamente falando, a consistência vertebral de uma lesma, há que reconhecer a frontalidade e a clareza com que Mariana Mortágua disse ao que vem: "Perder a vergonha e ir buscar a quem está a acumular dinheiro." Esta frase sintetiza todo um programa de transformação da sociedade que o Bloco quer ver instaurado em Portugal e, a julgar pelos aplausos que a plateia socialista lhe prodigalizou, não está sozinho.

Que programa é este? É pôr os ricos a pagarem a crise e, idealmente, acabar com todos os ricos para que sejamos todos igualitariamente pobres, à excepção da elite dirigente e iluminada onde, presumo, Mariana Mortágua se auto-inclui. Para esta esquerda preconceituosa, rico é quem, por exemplo, trabalhou toda a vida, poupou e investiu as suas poupanças em imóveis.

É quase infantil a forma como um certo PS se deixa seduzir por este discurso à Robin dos Bosques, que transforma grande parte dos portugueses em malvados príncipes João, a quem se pode e deve saquear sem piedade nem vergonha.

Não ignoro que a narrativa do Bloco seja sexy para muitos (e é-o claramente para este PS), mas quando se passa do discurso para a prática os portugueses arrepiam-se, tal é o choque térmico. Porque uma coisa é apregoar aspirações universais, que todos partilhamos, como mais justiça social e menos desigualdades.

Outra coisa, bem diferente, é querer impor um modelo de sociedade que, em vez de promover a criação de riqueza – para que haja menos pobres e mais para distribuir -, defenda a extinção e a penalização da riqueza, mesmo sendo ela lícita e legítima, desincentive a poupança e afaste o investimento.

Mas volto ao princípio: louvo a frontalidade de Mariana Mortágua por colocar as coisas nestes termos cristalinos. Sobretudo porque obriga – devia obrigar – os socialistas a definirem-se perante si próprios e principalmente perante os portugueses, saltando de vez para um dos lados do muro.
PS Mariana Mortágua BE Portugal Robin dos Bosques economia impostos imóveis poupanças
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)