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Luís Campos Ferreira

Trapalhada geral

Não há memória de tanta falta de transparência e tantas dúvidas num processo só.

Luís Campos Ferreira 25 de Agosto de 2016 às 01:45
A forma trapalhona e amadora como o governo tem lidado com a Caixa Geral de Depósitos não se encerra com o acordo agora alcançado com a Comissão Europeia para a sua recapitalização. Não há memória de tanta falta de transparência nem de tantas dúvidas e incongruências num processo só. E estas permanecem, mesmo depois de ficarmos a saber que a recapitalização vai custar quase cinco mil milhões de euros.

A dúvida primordial será mesmo esta: porquê este montante? Ainda não vislumbramos uma resposta convincente que nos prove a absoluta necessidade de tanto dinheiro. Mas muitas mais subsistem, como quantos balcões vão ter que fechar e quantos trabalhadores terão que ser dispensados para dar corpo a esta reestruturação da Caixa. Vão ser mesmo apenas rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas, como diz o governo?

O problema é que já ninguém acredita nas garantias bondosas de Centeno, nem mesmo os seus parceiros no parlamento, que, apesar dos protestos, vão acabar por sancionar mais esta trapalhada do governo que vai implicar à cabeça um agravamento da dívida de 2700 milhões de euros (a injecção directa de dinheiro dos contribuintes).

E no entanto, no PS ainda há quem venha dizer que esta foi "uma grande conquista do governo" por manter a Caixa com capital 100% público. A sério? Porventura alguma vez isso esteve em causa? Não, nunca esteve. A menos que a "grande conquista" se refira aos salários astronómicos que vamos todos pagar aos administradores executivos, a anos-luz dos vencimentos dos mais altos cargos da nação.

Isto não é demagogia, chama-se decência e bom senso. Bom senso que também não imperou no número de administradores (dezanove, entre executivos e não-executivos), dos quais o BCE chumbou oito, levando o governo a querer mudar a lei bancária para se livrar do imbróglio em que se tinha metido. O modo como o governo trata a Caixa é um espelho de como trata o País. Sem nexo.
Caixa Geral de Depósitos Comissão Europeia Mário Centeno PS BCE
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