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Mafalda de Avelar

Luz ao fundo do (longo) túnel no coração da Europa

Enquanto em França nem a febre pelo Futebol acalma os ânimos sociais, na América o clima também não está pacífico. Junho de 2016 será um mês que ficará na história.

Mafalda de Avelar 5 de Junho de 2016 às 15:00

1. Túnel no coração da União Europeia

De forma irónica, e em contramão com a (des)união europeia, foi inaugurado esta semana o maior túnel ferroviário do Mundo. Um túnel que pretende unir. E de forma profunda. Os 57,1 quilómetros de comprimento e os 2,3 de profundidade dão-lhe o recorde dos túneis. Zurique e Milão ficam a escassas duas horas e 40 minutos de distância. Foram precisos 18 anos para construir o túnel de Gotthard, que visa facilitar a circulação no coração da Europa.

2. Sem luz ao fundo do túnel

Quem continua sem ‘luz ao fundo do túnel’ são os milhares de imigrantes – e refugiados – a tentar entrar. As regras estão cada vez mais rígidas e os europeus menos flexíveis. Justificações há muitas, mas os esforços "pela ajuda humanitária", sobretudo a refugiados da Síria, não estão a dar (por enquanto) frutos.  

3. Imigração por pontos

Não é só cá que o ‘sistema por pontos’ fez manchetes. No Reino Unido, onde se guia ao contrário, e a dias do referendo Brexit, Boris Johnson, defensor-mor da saída da UE, pretende um sistema de imigração por pontos. Ao estilo australiano.

4. Brexit está mais perto de acontecer

Depois de novas estatísticas sobre imigração terem sido divulgadas, os opositores do Brexit estão de cabelos em pé. Sobretudo David Cameron, que pode ter os dias contados. Foi Cameron que lançou este tema nas últimas eleições, o que lhe valeu a vitória. Pode ter dado um tiro no pé, e uma cabeçada na Europa. Em 2015 emigraram 330 mil para o Reino Unido. Um número que aumenta a hipótese de haver Brexit, apontado pela comunidade internacional como "muito negativo" para o Reino Unido e para a Europa. Não só económica como politicamente.

5. Espanha vai a votos três dias após Brexit  

E se o Brexit é um tema quente na Europa, as eleições espanholas, que ocorrerão três dias depois do referendo britânico de 23 de junho, constituem outro dos ‘ses’ do momento. Aliás, este mês é rico em temas ‘inquietantes’ para Portugal. Esquerda unida a governar Espanha? ‘Venezuelão?’ Veremos qual será o resultado das eleições no nuestro vizinho e principal parceiro económico, que está desde dezembro do ano passado em ‘piloto automático’, com Mariano Rajoy a governar por falta de alternativa. Para já, o certo é que as exigências da União Europeia foram ‘atiradas para o futuro’. Tudo para que no presente os ânimos estejam mais pacíficos. Afinal, dois grandes momentos estão à porta. (Isto sem contar com a reunião da Reserva Federal dos EUA… que terá forte impacto nos mercados mundanos).  

6. Futebol, França e as contestações

E à porta está, também, o Europeu de Futebol que se iniciará na sexta-feira, em França. Um início que será certamente marcado pela constestação contra a reforma laboral que está a atingir diversos sectores da economia francesa. Da aviação, aos caminhos de ferro e abastecimento de combustiveis. Após quatro meses em que até a polícia se manifestou, veremos se o Governo cede. O futebol, esse, promete surpreender.

7. Américas

Se na América do Norte o tema quente é Trump, que agora até ganhou a simpatia de norte-coreano Kim Jong-un, mais a sul as contestações continuam a marcar a agenda. Sobretudo na Venezuela, onde a situação não dá sinais de melhoras. A oposição promete não ceder se não for aceite o referendo que pode levar ao afastamento do presidente Nicolás Maduro. No Brasil, a novela continua. Temer continua a viver "dia a dia". Em duas semanas perdeu dois ministros, um deles o da ‘Transparência’. Os escândalos, esses, continuam.

8. Brasil contra barbaridade

Foi conhecida a barbaridade cometida contra uma jovem de 16 anos, violada por mais de 30 homens. Um tema social que está a abalar a política. Principalmente depois de se saber que a secretária de estado das Mulheres é evangélica e contra o aborto, mesmo em caso de violação. Corrupção e direitos das mulheres marcam estes primeiros dias de um Governo que se iniciou sem mulheres, só composto por brancos e com seis investigados no Lava Jato.  

9. Nassar vence Prémio Camões

Com apenas três livros publicados, o brasileiro Raduan Nassar recebeu o prémio Camões 2016. Nassar, filho de emigrantes libaneses, é o 12º brasileiro a receber esta distinção. Já existe quem o compare a Guimarães Rosa e a Clarice Lispector.  

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