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Magalhães e Silva

Deserdados

A geografia não é virtude, é ora uma bênção, ora uma maldição.

Magalhães e Silva 10 de Setembro de 2017 às 00:30
Salazar fez difundir a ideia de que éramos um país agrícola e o Alentejo celeiro de todos nós. Com isto se travava a industrialização, que o ditador receava acima de tudo, ciente de que o desenvolvimento económico era caminho acelerado para reivindicações de liberdade. E a ditadura teria, então, os dias contados. 

Acontece que, ao contrário do que Salazar quis fazer crer, nem em solos, nem em clima, tínhamos condições privilegiadas para uma agricultura de sucesso. Ao contrário da Europa além-Pirenéus, com toda a prosperidade que a geografia lhe trouxe.

Vem isto a propósito dos recentes furacões e da miséria a comunidades inteiras, vítimas da geografia onde nasceram. E de como da noite para o dia se esbanjam milhões da ajuda aos Bangladesh deste mundo, só porque o vento lhes varreu a costa e deitou por terra tudo o que a dádiva trouxera.

A esta luz, o discurso da preguiça dos pretos como mãe, diz-se, do subdesenvolvimento, e o atraso de tanto Índico e Caraíbas como inferioridade de raças, devia parar na geografia e perceber o que é trabalhar ao sol de quarenta graus e que há terras em que ano sim, ano sim, se fica sem cama e sem comida, só porque o vento ou a cheia campeou.
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