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Magalhães e Silva

Falta é o molho

Governar bem também é saber lidar com o coro de protestos.

Magalhães e Silva 24 de Abril de 2016 às 00:30
Iannick Alléno, o chef francês que porfia na busca de novas texturas e novos paladares, sustenta que o molho é 85% da valia de um prato.
O Mapa Judiciário é isso: falta-lhe molho.

Feita de regularidades estatísticas, a reforma não percebeu que 30 quilómetros em auto-estrada ou equivalente não são o mesmo que 15 quilómetros em estradas de 6 metros e piso arredondado; que há lugares onde a presença simbólica do tribunal é um momento essencial na viabilidade da terra e litorais onde tal é indiferente; que o combate à desertificação do interior também se faz pelo Mapa e que nada impede que a Relação de Guimarães passe, p. ex., para Bragança, que o Tribunal Constitucional fique sedeado no Porto e o Supremo Administrativo na Guarda.

Depois, para que a modernidade possa ser aceite e eficaz, prescinda-se de dois quilómetros de auto-estrada – sim, é o que custa! - e equipem-se as salas de audiência com televisores topos de gama de grande dimensão, para tudo quanto for ouvir testemunhas por videoconferência seja vivido e útil e não com esta sensação de proforma em que, écrans minúsculos e som palhetado, se faz de conta que se ouvem pessoas.

É este molho que falta, Senhora Ministra.
Magalhães e Silva opinião
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