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Magalhães e Silva

O resgate

Muita da nossa História continua refém do fascismo. Basta.

Magalhães e Silva 12 de Junho de 2016 às 00:30
A Peste, narrativa exemplar da escrita de Camus, aproveita a epidemia que dizima a cidade de Oran para, a partir dela, simbolizar a guerra, o sofrimento e a morte; e, no limite, o mal. E nessa meditação, dá nota de que "no meio dos flagelos se aprende que há nos homens mais coisas a admirar do que a desprezar".

A condecoração de heróis militares neste 10 de Junho é para isso que nos convoca.

É que se a guerra é um mal, tantas vezes incontornável, e por isso insuscetível, em si, de celebração e festejos, tem de ser louvado, como foi o caso, quem, no meio do flagelo, e com risco de vida, salva camaradas, ou trata do inimigo capturado, ou abre caminho à paz.

Dificilmente se conseguirá fazer a guerra sem ódio. É da natureza das coisas. Mas passada ela, não se celebre o ódio, mas o que de nobre, apesar dele, aí floresceu.

É essa a diferença entre o Terreiro do Paço sob o salazarismo, a exaltar a guerra colonial e o seu ódio, e o deste ano, que exalta apenas quem na guerra teve virtude heroica.

As condecorações a heróis da guerra colonial e o Terreiro do Paço, a mais linda praça portuguesa, estavam reféns da memória do fascismo.

O Presidente da República resgatou-os para Abril.
Terreiro do Paço Presidente da República religião política
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