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Magalhães e Silva

Presidente-pai

Marcelo perdeu o direito ao silêncio. Tem de o recuperar.

Magalhães e Silva 24 de Dezembro de 2017 às 00:30
O estilo de Soares, depois do magistério solene e formal de Eanes, valeu-lhe o epíteto de Presidente-Rei. Após Cavaco, com os seus recordes de impopularidade e insuportável rigidez, Marcelo caminha, a passos largos, para vir a ser chamado Presidente-Pai.

Nada contra; e nenhuma censura aos beijos e aos abraços, nem à palavra de conforto nos momentos de dor. Como nada a verberar na disponibilidade para estar presente no quotidiano da política e da vida social e cultural.

É um estilo que, sindicável, tenderia a ser substituído por uma contenção e distância de que, com dez anos a fio de Cavaco, estávamos fartos até aos cabelos.

Acontece que o magistério presidencial, filho do desenho de poderes vindo da revisão constitucional de 82, exige, como Marcelo comentador sempre disse, um rigoroso equilíbrio entre o silêncio e a palavra.

Ora este dia a dia do PR, a comentar tudo e todos, do decisivo e importante ao fait divers, torna inexigível que se respeite o direito ao silêncio do Chefe de Estado, a que, pela sua prática, Marcelo renunciou.

Tem de o recuperar, porque, sem ele, não há magistério de influência. E sem magistério de influência, de Marcelo ficaria apenas uma selfie.
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