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Magalhães e Silva

Tudo igual?

Os males da democracia são escrutináveis; os da ditadura não.

Magalhães e Silva 27 de Agosto de 2017 às 00:30
No regime deposto em 25 de abril, era frequente ouvir-se dizer que os males e as perversões desse tempo não eram da responsabilidade de Salazar, nem sequer do seu conhecimento, mas da choldra que o rodeava; e isto, apesar de, em entrevista, Salazar, referindo-se à PIDE, ter falado de "uns safanões a tempo", bem evidenciando, com este "understatement", que bem sabia o que se passava.

São os males e as perversões exclusivos da ditadura?

Este nosso tempo bem evidencia que não.

Desde o Russogate de Trump, até aos sucessivos episódios do ‘House of Cards’, fica claro que os regimes, todos os regimes, têm presidentes aos beijos a assessores às escondidas, e vice-presidentes na cama com outros, de par com traições e fabricação de eventos, para abrir portas à conquista do poder.

É por isso que O Príncipe, de Maquiavel, não é apenas um tratado para a ação política, mas retrato de uma sociedade, a do século XVI, que não era essencialmente diferente da nossa.

Diferente na nossa sociedade é que tudo isto pode ser escrito sem que nada de grave aconteça ao seu autor. Mais, também por tudo isso, vale a pena parafrasear Camus - na democracia há mais coisas a admirar do que a desprezar.
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