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Correio da Manhã

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António Marinho e Pinto

Máscaras

No mundo de hoje praticamente tudo o que tem dimensão pública é realizado, protagonizado, desempenhado, não por pessoas, mas por personagens.

António Marinho e Pinto 27 de Abril de 2015 às 00:30

Ou melhor: por pessoas escondidas atrás de máscaras. No sentido original, um personagem é uma pessoa que fala, que emite sons (sonare), através (per), atrás, de uma máscara (personnare). O sortilégio das máscaras é que elas transformam as pessoas em personagens, permitindo-lhes falarem e atuarem libertadas dos constrangimentos de quem tem de dar a cara. O recurso a máscaras é cada vez mais frequente, pois traz, aparentemente, muitas vantagens para os que se mascaram.

Os vários personagens do nosso quotidiano usam muitas vezes máscaras sobrepostas, ficando ainda mais distantes do mundo das pessoas reais. Às vezes sucede que um personagem decide tirar a máscara tentando convencer-nos que nos fala como pessoa. Mas raramente isso é autêntico, pois por debaixo de uma máscara existe outra de um personagem desdobrado. Quando se tira a máscara a um destes personagens verificamos que ele tinha por baixo a máscara de outro personagem e outra e outra.

Os personagens só conseguem ver o mundo através da máscara. A sua visão da realidade é reduzida, pois ao esconderem-se dos outros, acabam por também esconder os outros de si próprios. Há dimensões da realidade que os personagens não conseguem entender porque não a captam com o olhar direto e perscrutador das pessoas. Quem se esconde do mundo esconde uma parte do mundo de si próprio. E, tal como na experiência da câmara escura, a luz que entra pelos pequenos orifícios da máscara reproduz imagens invertidas e distorcidas. Como lidar com tantos mascarados? Onde estão as pessoas? Porque fogem do confronto direto com a realidade (os outros)? E o que fazem aqueles que, como os jornalistas e os magistrados, têm como missão desmascarar (tirar as máscaras de) certos personagens? A verdade é que muitos deles também se mascararam.


Protagonistas

Retira ao debate público a viscosidade tradicional
João Miguel Tavares. Podemos não concordar com ele ou até não gostar dele; mas ao contrário das prosas empasteladas de outros, as dele mostram inteligência, cultura, coragem, sentido de humor e provocação que retiram o debate público da viscosidade tradicional.

Apresenta um dos melhores programas da atualidade
Fernando Rosas. Apresenta, na RTP 2, aos domingos, um dos melhores programas da atualidade. Com rigor e clareza, discorre sobre alguns dos episódios mais marcantes da história de Portugal. Só se pode construir o futuro se se conhecer e compreender o passado.

 

O absurdo e a solidão

Absurdo é querer mudar a natureza das coisas
Pela sua atualidade cito de memória a frase do escritor brasileiro Humberto de Campos, retirada da sua obra ‘À Sombra das Tamareiras’: "quando a justiça quer os rios correm para as nascentes, os peixes cantam nas nuvens e os pássaros fazem o ninho no fundo do mar."

A solidão não é estar só, mas a ausência de solidariedade
Ao contrário do que muita gente pensa, a solidão não é estar só, mas sim a ausência de solidariedade. Por isso, a pior solidão deve ser aquela em que uma pessoa está perdida no meio da multidão e não encontra sequer um olhar de compreensão e de cumplicidade.

 

Bloco de Notas

Bicho da fruta Essa espécie de Dâmaso Salcede, que, em 2014, foi para o PE pendurado na minha votação, anda, agora, a lançar suspeitas caluniosas sobre mim, sobre o Partido Democrático Republicano (PDR) e sobre a Aliança de Liberais e Democratas pela Europa (ALDE), a que pertenço. Só não apanha umas bengaladas como o outro porque em breve desaparecerá submergido pela podridão que gera à sua volta.

Natalidade Nenhuma política de natalidade será eficaz se não assentar nestes quatro pressupostos: dignificação da maternidade e da paternidade, reforço das garantias da mãe trabalhadora, proteção da família e combate à cultura onanística que se está a disseminar na sociedade. É tão estúpido pretender que o sexo só serve para a procriação como querer reduzi-lo apenas a um instrumento de prazer. 

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