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António Marinho e Pinto

Carreirismo político

Muitos só têm emprego quando o partido está no poder.

António Marinho e Pinto 2 de Março de 2015 às 00:30

Os profissionais da política são, geralmente, pessoas que abandonaram (ou não conseguiram, sequer, começar a exercer) outras atividades. Raramente tiveram uma profissão em que se realizassem como cidadãos e muitos só têm emprego quando o partido está no poder. Alguns abandonaram (ou não conseguiram concluir) a formação académica para abraçar a profissão de político. Há mesmo quem não esconda a aversão a qualquer forma de trabalho. Trabalhar é para alguns deles um suplício insuportável.

Este fenómeno gera o chamado carreirismo político, uma situação em que o objetivo predominante do agente político é a defesa do próprio interesse profissional de chegar longe e alto. O que verdadeiramente lhe interessa é a própria carreira profissional. Mal começam a dar os primeiros passos na política (na adolescência ou juventude) eles aprendem logo as boas técnicas do sucesso: cotoveladas, facadas nas costas, estrangulamentos por trás, intrigas, conspirações, traições, assaltos ao poder, etc. Quando chegam a adultos não sabem fazer mais nada, porque, na verdade, nunca fizeram outra coisa. Alguns até se gabam de terem começado aos 14 anos, como se isso lhes conferisse vantagem competitiva.

Um dos grandes problemas da vida política portuguesa é o peso que nela têm esses carreiristas. Eles subalternizam acintosamente os interesses dos cidadãos (que dizem representar) em benefício dos próprios interesses e/ou dos partidos em que se acomodaram. Durante as campanhas eleitorais, eles prometem tudo e o seu contrário aos eleitores, mas, depois de eleitos, deixam de ter qualquer compromisso com quem os elegeu e passam imediatamente a defender os interesses pessoais e a servir não o povo mas as direções dos partidos, pois que, de outra forma, não voltarão a ser candidatos (e lá se iria a sua carreira política por água abaixo). Acabar com esse carreirismo é, hoje, uma exigência ética da República.

Senhores à força e cinismo

Muitos magistrados agem nos tribunais como senhores à força e mandadores sem lei, 40 anos depois do 25 de Abril.

Em portugal, 40 anos depois do 25 de abril, as leis da República, incluindo a Constituição, nada valem perante as arbitrariedades dos magistrados. Muitos deles agem nos tribunais como senhores à força e mandadores sem lei.

São frágeis as garantias processuais dos arguidos e é cínico o discurso público contra o "excesso de garantismo".

A prisão preventiva de Sócrates e as de outros milhares de cidadãos mostram quão frágeis são as garantias processuais dos arguidos e quão cínico é o discurso público contra o pretenso "excesso de garantismo" das leis penais.

Preocupação e amigos e inimigos

Nove dos dez anos mais quentes de sempre foram registados já este século, ou seja, a partir do ano 2000.

O ano de 2014 foi o mais quente desde que, em 1880, se começaram a fazer essas medições. Mas o mais preocupante é que nove dos dez anos mais quentes de sempre foram registados já este século, ou seja, a partir do ano 2000.

Nem todos os meus amigos estão onde eu esperava que estivessem. Os meus inimigos estão onde sempre estiveram.

Citando de memória um pensamento que tem andado perdido nas brumas do meu quotidiano: nem todos os meus amigos estão onde eu esperava que estivessem, mas, felizmente, os meus inimigos estão onde sempre estiveram.

Bloco de notas

Mentiroso. António Costa disse a empresários chineses que Portugal está melhor que há quatro anos. O autarca quis dar uma de estadista e acabou traindo o PS e a tirar o tapete a todos aqueles que andam a dizer o contrário, como Mário Soares. Se o anterior líder, A. José Seguro, tivesse dito algo parecido seria devorado vivo no pelourinho das conveniências socialistas. No futuro, que dirá o PS aos portugueses?

Feira. O aeroporto de Lisboa foi transformado numa feira-dos-trezentos-para-ricos que tem de ser percorrida pelos passageiros. À partida, eles têm de contornar as muitas bancas de variadas inutilidades antes de chegarem ao portão de embarque; à chegada são largados na extremidade do terminal, apenas para terem de atravessar a dita feira antes de alcançarem o tapete de recolha das bagagens.

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