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António Marinho e Pinto

Imprensa (2)

Fui contactado sucessivamente por quatro jornalistas.

António Marinho e Pinto 9 de Março de 2015 às 00:30

No seguimento da minha eleição para o Parlamento Europeu (PE), em maio de 2014, fui contactado sucessivamente por quatro jornalistas que se ofereceram para trabalhar comigo. Só um deles estava desempregado, enquanto os outros trabalhavam em órgãos de informação portugueses. Todos eles me ofereceram o mesmo: ‘comunicar-me’ em Portugal, sobretudo em Lisboa, onde, como era e é notório, tenho ‘má imprensa’. A todos disse que não, pois não queria nem quero ser profissionalmente ‘comunicado’. Sempre entendi que os jornalistas devem ser os únicos mediadores entre as fontes de informação e o público, e que não deve haver lugar para qualquer intermediação entre ambos, muito menos por parte de profissionais ao serviço de interesses hostis aos valores éticos do jornalismo e do direito de informar.

Ao contrário dos meus colegas no PE, não contratei nenhum desses comunicadores e lá tenho andado às turras com a comunicação social – sobretudo com alguns dos muitos mercenários que nela se aninharam. Insultam-me constantemente e estão sempre a mentir sobre mim e a deturpar o que digo, chegando ao ponto de noticiar o contrário do que afirmo. Há entrevistas publicadas com perguntas diferentes das que realmente me fizeram e, sobretudo, há afirmações que são publicadas como respostas a umas perguntas quando, na verdade, foram dadas a outras. Por isso é que eu peço às pessoas que, em geral, não acreditem no que dizem que eu disse mas apenas naquilo que me ouvirem dizer.

A decadência do nosso sistema político-partidário tem muito a ver com a degenerescência ética do jornalismo português e vice-versa: a degradação da nossa informação também se deve, em grande parte, ao apodrecimento moral do regime. O sistema político capturou para a sua lógica interna muitos jornalistas portugueses e, pior do que isso, transformou-os em zelosos cúmplices. Por isso, o combate político contra a degenerescência política do País só terá sucesso se for também um combate cívico pela redignificação ética da informação ou, se quisermos, contra a ‘mercenarização’ do jornalismo.

Pior que acontece no poder e oposição

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