Liberdade e terrorismo

António Marinho e Pinto

Liberdade e terrorismo

Se há pessoas que entendem que o terrorismo é solução para alguns problemas, porque é que só dizem isso às escondidas?
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Por António Marinho e Pinto|19.01.15
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Liberdade e terrorismo

O recente ataque ao jornal Charlie Hebdo suscitou uma estranha unanimidade na defesa da liberdade na Europa. Receio bem que isso seja mais uma epidérmica decorrência de emoções momentâneas do que a expressão de uma genuína adesão à causa da liberdade. Quando começamos a questionar o conteúdo concreto das várias dimensões da liberdade, começam a surgir os primeiros desvios àquela unanimidade. Vejamos a liberdade de expressão.

Porque é que, havendo tantos defensores do terrorismo na Europa, não se vê nenhum deles a fazer a sua defesa nos órgãos da comunicação social? Se há pessoas que entendem que o terrorismo é uma solução para alguns problemas, porque é que só dizem isso às escondidas e não nos órgãos de comunicação social? Ter opiniões favoráveis ao terrorismo não transforma, ipso facto, uma pessoa em terrorista. Qualquer pessoa pode ter as opiniões que quiser sobre quaisquer crimes, sem que isso seja, necessariamente, um crime – desde que não pratique nenhum dos atos preparatórios ou de execução do respetivo tipo legal. A paz foi alcançada na Irlanda do Norte porque o Reino Unido e os unionistas tiveram a coragem de negociar com o Sinn Féin, o braço político de uma organização considerada terrorista – o IRA. Nelson Mandela esteve preso quase 30 anos não por ter praticado qualquer ato de violência contra pessoas, mas apenas por defender o direito dos negros a usar a violência contra o apartheid.

Eu gostava de poder discutir com um defensor da jihad, em ambiente de plena liberdade para ambos, as motivações políticas ou ideológicas da violência armada contra cidadãos indefesos e inocentes e tentar demonstrar-lhe o erro dessas opções. Em vez de o silenciar com iradas excomunhões, eu gostaria de poder ouvir tudo o que ele tivesse a dizer na defesa da sua doutrina de violência para depois eu o rebater com os meus argumentos de respeito pela dignidade da pessoa humana. No dia em que isso acontecesse, haveríamos, ao menos, de estar de acordo na escolha das armas para esse confronto: as palavras, as ideias e os argumentos em vez das bombas e das metralhadoras.

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  • De  Anónimo 19.01.15
    Havia de ser lindo ver o Dr. Marinho Pinto tentar demover o seu interlocutor jhiadista de levar a cabo a luta! Isso seria a mesma coisa que ler e dar a entender os Lusíadas a um bijagós. Fica a intenção!
1 Comentário
  • De  Anónimo 19.01.15
    Havia de ser lindo ver o Dr. Marinho Pinto tentar demover o seu interlocutor jhiadista de levar a cabo a luta! Isso seria a mesma coisa que ler e dar a entender os Lusíadas a um bijagós. Fica a intenção!
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