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Miguel Alexandre Ganhão

Banca engana credores do BES

Os clientes com títulos do GES/BES pagam 30 euros por uma fotocópia que não serve para nada.

Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 22 de Setembro de 2016 às 01:45
Mesmo liquidado, o Grupo Espírito Santo (GES/BES) continua a tirar dinheiro a quem já enganou. A questão prende-se com a custódia de títulos. São os bancos que detêm as ações, obrigações ou o papel comercial que os antigos clientes do Banco Espírito Santo (BES) subscreveram aos balcões desta instituição financeira, e que agora tentam, desesperadamente, recuperar.

Como está em processo de liquidação é necessário que os credores vão reclamar à massa falida os seus créditos. Ora, os bancos com clientes que têm nas suas carteiras ações ou obrigações do GES/BES escreveram uma carta alertando-os para a necessidade de irem reclamar aqueles créditos o quanto antes.

Mas para que esses créditos sejam documentados, a banca exige o pagamento de 30 euros por cada fotocópia que prova que a instituição financeira tem a custódia dos títulos em nome do cliente. A maioria dos bancos portugueses tem feito autênticas fortunas em comissões à custa deste expediente.

Mas o mais grave de tudo é que a fotocópia que custa os 30 euros não serve absolutamente para nada. Porque, como diz o Banco de Portugal em relação aos acionistas: "assumem prioritariamente os prejuízos do BES" e qualquer crédito só pode ser reclamado junto da massa falida.

Para os obrigacionistas com títulos das empresas do GES, só podem ser pagos pelas sociedades que emitiram esses "papéis". Resumindo, não só não recebem nada como pagam por um papel que lhes certifica o prejuízo!
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