Emocionou ouvir o depoimento deste jovem português, vítima com sorte do mais recente atentado em Londres. Vai continuar a passar no local, apesar das memórias traumáticas. Diz que os europeus têm de mostrar-se fortes e unidos. Não ceder ao medo. Ouvir isto no centro da capital do Brexit é uma sublime ironia e mostra, mais uma vez, a distância que separa os povos, o sofrimento dos cidadãos médios, da velocidade a que agem e decidem os líderes europeus, sessenta anos depois da fundação do Mercado Comum.
Três centenas de mortos e perto de um milhar de feridos depois, na contagem de João Pereira Coutinho, feita nas páginas deste Jornal, ainda não há uma resposta comum à ameaça que paira sobre todos. A troca de informações entre polícias europeias melhorou? Sim, pudera.
Mas os fanáticos lobos, solitários ou em alcateia, continuam a poder circular entre os bairros periféricos da Velha Europa e o território ainda ocupado pelos terroristas na Síria e Iraque.
Se a coragem demonstrada pelos europeus médios não volver numa clara censura da modorra dos políticos, a contabilidade das vítimas continuará a subir sem que se crie um ordenamento penal comum para os suspeitos de terrorismo. Com penas pesadas para defesa coletiva, e direito de detenção prévia até despiste dos verdadeiros riscos que cada indivíduo suspeito representa.
O facto de os atentados destes loucos visarem sempre meros cidadãos indefesos estará a atrasar as decisões políticas mais musculadas? Queremos todos crer que não. Não será o facto de os alvos da ira dos fanáticos serem meros cidadãos sem poder, o que tanto está a fazer tardar as respostas políticas óbvias e necessárias.
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