Quem acompanhou em Portugal a votação da impugnação da presidente Rousseff no parlamento brasileiro ficou boquiaberto: autorizados a justificar o seu voto em poucos segundos, deputados invocaram Deus, evangelismo, filhos, netos, a mulher doente.
Que "Tchau, querida!" seja um slogan em pancartas e discursos no parlamento está fora da nossa expectativa sobre a política. É a democracia a funcionar nos trópicos? Parecia um drama cómico, um circo, mas para o povo sobra tragédia: não tem como evitá-la.
Houve declarações articuladas, mas o sim à impugnação não teve relação com os motivos do processo legal. O PT ameaça com o "golpe" nas ruas contra o "golpe" constitucional na "carpete". O Brasil está encalhado entre uma corrupção e outra corrupção.
Nos primeiros anos, a SIC Radical conseguiu trazer alguma frescura e inovação à TV portuguesa. Dela saíram alguns novos protagonistas dos media, como Ricardo Araújo Pereira. Mas, aos 15 anos, é um canal velho para jovens, sem vontade nem imaginação.
Francisco Nicholson (1938-2016) teve uma carreira tão longa no palco e no ecrã como Nicolau Breyner, esteve em momentos marcantes como ele (‘Riso e Ritmo’, ‘Vila Faia’), mas a sua morte não comoveu como a de Nicolau. O público também liga à personalidade.
Nicholson era inteligente, simpático, criativo, mas não transbordava afectos, a energia e a entrega de si que caracterizavam o Nicolau que conhecíamos dos ecrãs. E a morte da memória conta: Breyner continuava, os êxitos de Nicholson desapareceram da RTP.
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