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Paulo Fonte

Brincar com soldadinhos

"Marchar, marchar. Sem dor, sem medo. Até ao fim o soldadinho é brinquedo", cantavam os UHF em 1990. Podia ser em 2016.

Paulo Fonte(paulofonte@cmjornal.pt) 30 de Março de 2017 às 00:31
"…Foi treinado para ignorar a dor. Ignorar o tempo, viver da terra, comer coisas que fariam uma cabra vomitar…" A fala é do coronel Samuel Trautman no primeiro filme da saga ‘Rambo’, quando se apresenta ao xerife Will Teasle antes da personagem central levar o caos à cidade.

Não é difícil imaginar os jovens candidatos a Comando absorverem a cena, sonharem integrar a tropa de elite e ganharem a fama de máquinas de guerra. Como não é improvável os seus instrutores recitarem de cor cada palavra do que se passa no ecrã como o zénite da sua existência. Apenas ficção, dirão alguns, simples realidade, pensará a maioria.

Em setembro do ano passado, no primeiro dia da instrução do curso 127 dos Comandos, os instruendos de um dos grupos foram obrigados a atirar-se para um monte de silvas, como punição por não terem realizado o tiro como o instrutor exigiu. "Quando dali saí, tinha partes do corpo em carne viva", disse um dos protagonistas. Outro conta que "cuspia sangue e terra". No fim, contabilizam-se dois mortos e militares hospitalizados.

"Marchar, marchar. Sem dor, sem medo. Até ao fim o soldadinho é brinquedo", cantavam os UHF em 1990. Podia ser em 2016.
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