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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Paulo João Santos

E ninguém se demite

O desejo de Amílcar é de uma simplicidade comovente. Ter telhado em casa antes do inverno.

Paulo João Santos 27 de Agosto de 2017 às 00:31
O desejo de Amílcar é de uma simplicidade comovente. Ter telhado em casa antes do inverno. Que vem longe, é certo, mas ao ritmo a que está a chegar o apoio às vítimas de Pedrógão Grande, a dúvida e a incerteza fazem todo o sentido.

A história deste jovem – que pode ler hoje na Domingo – não é diferente da de Patrícia, ainda que num outro plano. O marido sofreu queimaduras graves e está a recuperar em Espanha. Encontrava-se grávida quando o inferno desceu à terra. A criança já nasceu, mas ainda não viu o pai. Patrícia não tem dinheiro para a viagem. Só agora cintilou uma luz no fundo do túnel, por força da intervenção de uma organização não governamental, a quem contou o caso.

Amílcar e Patrícia são apenas dois exemplos da lentidão exasperante com que se está a processar a ajuda a Pedrógão. É difícil, até, encontrar palavras que ilustrem e definam esta inaceitável e revoltante situação, mais de dois meses após os acontecimentos.

Entretanto, o País continua a arder. São milhares de hectares de floresta reduzidos a cinzas, concelhos pintados de negro, dezenas de bombeiros feridos, gente que perdeu em minutos o trabalho de uma vida.
E ninguém se demite...
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