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Paulo Morais

O combate que falta

A cada ano que passa, os resultados são mais dececionantes:Portugal continua a ser dos países mais corruptos da Europa.

Paulo Morais 6 de Dezembro de 2014 às 00:30

A cada ano que passa, os resultados são mais dececionantes: Portugal continua a ser dos países mais corruptos da Europa. E as consequências deste flagelo estão à vista: desemprego, pobreza, subdesenvolvimento.

Os indicadores de transparência esta semana anunciados pela ‘Transparency International’ confirmam a tendência da última década, relegando Portugal para o grupo que na Europa mais padece da corrupção, a par da Itália, Grécia e Espanha.

Mas nem sempre foi assim. Em 2000, Portugal ocupava uma aceitável 23ª posição no ranking da transparência. A queda foi brutal, cerca de dez posições, e acentuou-se nos últimos anos.

O aumento da corrupção tem sido, aliás, o fator que mais nos tem afastado do desenvolvimento. Em primeiro lugar, porque foram os inúmeros casos de corrupção que depauperaram as finanças públicas e elevaram a crise a este nível insuportável. Os escândalos sucederam-se à vista de todos – corrupção no Euro, nas parcerias público-privadas, no BPN, no BPP e no BES, nos submarinos –, cada um custando aos bolsos dos portugueses largos milhares de milhões. Representam no seu conjunto mais de metade da malfadada dívida pública que nos consome.

Acresce que o índice agora apresentado é um indicador compósito que resulta de estudos detalhados de peritos do Banco Mundial, do Fórum Económico Mundial, da prestigiada Fundação Bertelsmann, do ‘Economist’ e outros. A obtenção de maus resultados afasta obviamente os investidores internacionais. Não por acaso, o investimento direto estrangeiro diminuiu, num só ano, 37% (de 2012 para 2013).

Finalmente, a consequência mais dramática: o subdesenvolvimento. Está provado que há uma forte correlação negativa entre corrupção e desenvolvimento. Bastaria, pois, que nos tivéssemos mantido nos lugares de 2000, perto do 23º, e integraríamos hoje, na Europa, o grupo da Áustria, onde o desemprego é cerca de 5% e a taxa de IVA de 20%.

Se o estado português empreender um combate feroz à corrupção, poderemos retomar o caminho do desenvolvimento. Se se mantiver a inércia, a tolerância face à promiscuidade entre política e negócios, em poucos anos estaremos definitivamente condenados à miséria. As opções não poderiam ser mais claras.

perguntas&soluções: Envie perguntas para o email fiodeprumo@cmjornal.pt

Congressos partidários e casas vazias

Os partidos políticos devem convidar os partidos adversários para as sessões de encerramento dos seus congressos?

Não. Porque no discurso final os líderes aclamados criticam e maltratam os partidos adversários, presentes enquanto convidados. Estes, por sua vez, vingam-se, falando à saída, criticando quem os convidou. Estes convites são mais um ato de hipocrisia.

Qual o motivo de haver tantas casas vazias?

São perto de dois milhões. A grande maioria está devoluta porque os proprietários não as querem alugar. Muitas estão tituladas em fundos imobiliários com isenção de IMI. Se estes imóveis pagassem imposto como os de todos os cidadãos, os seus donos teriam que os colocar no mercado, o que baixaria muito o preço das rendas. 

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