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Paulo Morais

Portugal de Mota

António Mota é decididamente o empresário do regime. Nos partidos do arco do poder, contrata políticos de todos os quadrantes.

Paulo Morais 20 de Setembro de 2014 às 00:30

A Mota-Engil controla desde esta semana mais um setor económico em Portugal, a recolha e tratamento de lixos. Como este negócio é um monopólio, os consumidores ficam à mercê deste grupo empresarial, a quem doravante pagarão uma taxa vitalícia.

António Mota é decididamente o empresário do regime. Nos partidos do arco do poder, contrata políticos de todos os quadrantes. Já nos anos 80, Duarte Lima, enquanto líder parlamentar do PSD, representava os interesses do grupo Mota. Até aos dias de hoje, em que encontramos o ex-ministro laranja Valente de Oliveira na Administração do grupo Mota.

Também o ex-ministro Ferreira do Amaral, presidente da Lusoponte, está na sua esfera de influência. Rui Rio prestou-lhe tributo, condecorando-o. E estão agora sob investigação judicial os seus negócios com Luís Filipe Menezes...

António Mota contrata também na área socialista. Jorge Coelho, ex-governante nas obras públicas, presidiu durante anos a este poderoso grupo. A ele se juntaram outros responsáveis da governação socialista, desde o ex-secretário de Estado Luís Parreirão a Rangel de Lima, antigo presidente da Estradas de Portugal. Mota pesca também nas águas do CDS. Ao seu núcleo duro de gestão pertence António Lobo Xavier. E até Paulo Portas já foi a Angola promover as relações entre a construtora e o governo de Eduardo dos Santos.

Não é pois de estranhar que o grupo Mota seja dos que mais se alimentam da manjedoura que é o orçamento de estado. Constrói estradas e pontes, é o maior detentor de negócios na área das parcerias público-privadas rodoviárias, o que lhe dá acesso a receitas milionárias garantidas. Através da Liscont, controla o porto de Lisboa, cuja recente prorrogação de contrato obteve sem qualquer concurso público. Doravante, irá ter garantida mais uma renda permanente, proveniente do negócio dos lixos, com a atribuição que Passos Coelho lhe outorgou: a posse da Empresa Geral de Fomento.

António Mota financia campanhas políticas, relaciona-se intimamente com governantes. Cavaco Silva apadrinha e preside às suas ações caritativas. O seu grupo confunde-se com o regime. Vai de Mota, mas domina Portugal de lés a lés.

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Perguntas & Soluções

Envie perguntas para o email fiodeprumo@cmjornal.pt

Porque está o espaço público tão degradado?

A manutenção de ruas, passeios, condutas de águas pluviais, jardins ou parques infantis é função exclusiva das câmaras. Estas dispõem de orçamentos avultados (cerca de 1000 euros per capita), mas desviam os recursos para outros fins. Cada câmara deveria ter um sistema de manutenção da via pública. Obrigatoriamente.

Para que serve a taxa de audiovisual?

Deveria financiar a RTP e o serviço público de televisão. Mas a RTP é hoje uma televisão comercial, como outras. E ignora-se que serviço público que presta. Assim, a taxa serve para financiar erros crónicos de gestão da RTP. É uma contribuição injusta, todos pagam (5,30 €+ IVA) através da fatura da eletricidade. Extinga-se.

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