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Paulo Morais

TAP: voar ou saldar

As negociações cumpriam dois objetivos: desvalorizar a TAP e garantir negócios ao SPAC – Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil.

Paulo Morais 9 de Maio de 2015 às 00:30

Apenas há um ano, a TAP apresentava lucros de 34 milhões. Mas nos últimos tempos a empresa entrou em roda livre. Têm-se multiplicado atrasos e cancelamentos de voos, proliferam greves e ameaças. A empresa está sem Administração e sem tutela. Agora que vai ser privatizada, o seu valor é nulo. Quem quisesse destruí-la não faria diferente do que fez este governo. Mas a machadada final estava para chegar: uma greve de pilotos inútil, que apenas serve para baixar ainda mais o preço de saldo na privatização.

A ameaça de greve e as aparentes negociações entre Administração da TAP e o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) não foram mais do que uma teatralização. Em primeiro lugar, a exigência dos pilotos de ficarem com 20% da companhia é irrelevante. Pois se a companhia hoje nada vale, 20% vale... nada. Em segundo lugar, os pilotos defendem o pagamento de diuturnidades em atraso. Mas, iniciado o processo de privatização, o governo não pode assumir os muitos milhões de euros em que esta medida importaria, pois estaria a alterar o valor da companhia e a aniquilar todo o processo.

Então porquê tanto ruído? Porque o SPAC quer influenciar a privatização, governo e futuro dono, tendo em vista garantir a gestão do fundo de pensões dos pilotos, avaliado em várias dezenas de milhões. Só esta questão parece motivar o sindicato que, aliás, até se tem feito representar em algumas negociações, não por dirigentes sindicais, mas por uma empresa de consultadoria! As negociações, que mais parecem fingidas, cumpriam dois objetivos: desvalorizar a TAP e garantir negócios ao SPAC. Que, com esta greve, se tornou no melhor aliado do executivo na sua estratégia de privatização: entregar a TAP ao desbarato aos amigos do poder.

Na sequência desta indignidade, exige-se agora a intervenção da única entidade com poderes para tal: o Presidente da República, que deveria anular o processo de privatização e solicitar à Procuradoria-Geral da República a investigação da natureza desta associação entre governantes e sindicalistas que depreciaram o valor da TAP em muitos milhões de euros.

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