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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Pedro Santana Lopes

Culpa? Pelo menos 50-50

Portugal tem servido de cobaia, ou sido "voluntário à força" para o experimentalismo.

Pedro Santana Lopes 8 de Abril de 2016 às 01:45
Muito se tem falado a propósito das questões da Banca da indefinição ou do conflito de competências entre as autoridades europeias e as autoridades nacionais. É bom que todos tenhamos a noção de que vivemos tempos muito difíceis a esse propósito.

Um dia, mais tarde, as gerações vindouras poderão acusar quem viveu e teve responsabilidades no presente de alguma inconsciência ou leviandade, ou mesmo de falta de coragem para forçar as clarificações que a realidade impunha. No entanto, o que vivemos é um tempo muito especial de construção de uma entidade jurídica, que não é nem Estado no sentido clássico, nem uma federação ou confederação. É uma união de Estados com características jurídicas e políticas que nunca existiu na história da Humanidade.

Os Estados têm perdido soberania, tem sido transferida para Bruxelas, Frankfurt, Luxemburgo ou Estrasburgo, mas, quando os problemas acontecem num Estado-membro, a generalidade dos cidadãos "pede contas", acima de tudo, aos responsáveis nacionais.

Ainda há dias, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse na comissão de inquérito ao Banif que também devia haver comissões de inquérito no Parlamento Europeu, chamando exatamente à responsabilidade os decisores europeus nos processos que mais danos têm causado no sistema financeiro português.

A esse propósito, a reunião do Conselho de Estado com Mario Draghi é também elucidativa: Draghi fez uma intervenção e Carlos Costa esteve lá para ouvir e responder a perguntas que fossem feitas, mas não fez qualquer declaração.

Por isso mesmo, tenho sempre dito que a responsabilidade nestas matérias é, pelo menos, em 50 por cento da União Europeia. Quanto mais não seja pelas normas que têm vindo a ser aprovados sobre a União Bancária e em concreto sobre o Mecanismo Único de Resolução. Portugal, ainda por cima, tem servido de cobaia ou sido "voluntário à força" para o experimentalismo por causa da aplicação dessas normas.

Só para dar um pequeno exemplo das responsabilidades que cabem à Europa nesta matéria, lembremos que um dos três pilares da reestruturação da economia portuguesa, na sequência do pedido de ajuda externa, era exatamente a reestruturação do sistema financeiro e, nomeadamente, do sistema bancário. Os bancos foram inspecionados e auditados pela troika e por quem a troika entendeu. Havia uma dotação disponível de cerca de 12 mil milhões de euros para recapitalizar os nossos bancos e, como se sabe, só foi utilizada cerca de metade.

É incompreensível, mas é a realidade. E como sair desta indefinição? Volto ao tema: lideranças fortes na Europa, precisam-se.

Literatura na Madeira
Começa já na segunda-feira o Festival Literário da Madeira, que vai na sua 6ª edição e se tornou uma referência. Falsidade e Verdade na Ficção Literária é o tema da edição deste ano e que servirá de inspiração a encontros, debates, espetáculos, sessões de autógrafos e muitos outros momentos, não só no Funchal, mas em vários pontos da ilha.

Além de escritores, vão estar presentes jornalistas, editores, professores, designers gráficos e profissionais do mundo do cinema. E já que se fala em cinema, e com um fim de semana de chuva em perspetiva, poderá ser boa ideia ir ver um filme.

E porque não o ‘Assalto a Londres’? Espelha aquilo que há uns anos parecia ficção, mas hoje é já uma assustadora realidade e que nos põe a pensar sobre o quão importante é o tema da segurança nas sociedades ocidentais.

Benfica está confiante
É conhecida a diferença do poder económico entre clubes portugueses e espanhóis, mas a verdade é que o Real perdeu 2-0 com o Wolfsburgo, que é bem pior que o Bayern, com quem o Benfica perdeu por apenas 1-0.

O Benfica "aguentou-se" porque, além de outros méritos, está confiante. Os seus responsáveis têm jogado na normalidade das vitórias. Mas será que o Benfica se desconcentrará agora ao nível interno?
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