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Pedro Santana Lopes

De campanha, nada

Quem tinha razão era eu e os outros ou são cínicos ou a realidade desmente-os.

Pedro Santana Lopes 2 de Junho de 2017 às 00:30
Na primeira semana de maio escrevi neste espaço um artigo com o título "Afinal ainda é cedo". Agora que estamos na primeira semana de junho repiso o tema. E porque entendo que é devido, volto a chamar a atenção dos leitores.

Desde, pelo menos, junho/julho do ano passado, há um ano, que uns diziam, outros escreviam e mais outros analisavam, e mais alguns comentavam, que eu tinha de decidir se era ou não candidato à Câmara Municipal de Lisboa. Escreveram-se editoriais injuntivos e imperativos sobre o tema. Em setembro, Assunção Cristas declarou que era candidata e então, a partir daí, é que o brado aumentou, principalmente no seio da força política a que pertenço, embora, mande a verdade dizer, que não só lá.

Dizia-se que era incrível o facto de a líder do CDS andar sozinha em campanha e ninguém do PSD no terreno. De quando em vez, aparecia uma entrevista de um alto responsável a dizer que o PSD era um grande partido e não iria ficar eternamente à espera daquele que tinha desafiado a candidatar-se.

Estávamos ainda no ano de 2016. Passou a entrada no novo ano e, então aí, quase se deram vertigens e desmaios: ainda não havia candidato, ainda não havia campanha na rua. Como era possível a dez meses das eleições? Passou fevereiro, passou março e aumentava a indignação entre os defensores da moral partidária e da pureza do sistema político: como é que o maior partido da oposição não andava ainda a fazer campanha para a capital do país?

Escolheu-se a candidata, mas passou abril e passou maio, e entrámos em junho, e de campanha, que se saiba, nada. Diga-se, em abono da verdade, que nem campanha desta candidata nem dos outros, à exceção de um cartaz ou outro do BE ou do CDS. A campanha de rua de Assunção Cristas praticamente sumiu, pelo menos o eco da mesma.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa ainda nem sequer esclareceu se é candidato ou não, o candidato do PCP vai falando sobre outros assuntos e de campanha autárquica para Lisboa verdade, verdadinha, a única palavra que a define é: NADA.

Portanto, só para os leitores poderem concluir, quem tinha razão era eu e os outros, ou são cínicos e gostam de dizer falsidades, ou então a realidade desmentiu-os em absoluto.

Era perfeitamente escusada toda aquela algazarra e as muitas quezílias e divergências, suspensões, demissões e confrontações que existiram. Que pena continuar-se a fazer política assim.

Por trás das campanhas  
Marketing Político – Noções e Outras Histórias’ é o mais recente livro de José Paulo Fafe, antigo jornalista e consultor em estratégia eleitoral, tendo sido responsável por diversas campanhas políticas, não só em Portugal, mas também no Brasil, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Fez campanhas ainda no Chile e Argentina. E é esse acumular de experiência política e conhecimento das práticas do marketing político que este livro nos oferece. Permite-nos ainda conhecer o percurso profissional de um "bem-sucedido marqueteiro". O livro deve ser lido com atenção por quem trabalha na área, mas também por quem quer conhecer o assunto, porque se trata de uma leitura acessível e clara. Tem prefácio de Mário Mesquita, que merece sempre leitura, e um texto prévio de Duda Mendonça, o número um dos marqueteiros.

Trabalho que dá frutos
Os frutos do trabalho de Luís Filipe Vieira medem-se também pela "facilidade" com que o Benfica faz grandes transferências de jogadores. Temos Ederson, mas outros se seguirão como Nélson Semedo e Lindelof. E vêm depois de Di María, Matic, Ramirez, Fábio Coentrão e Renato Sanches.

E a prova da diferença para os rivais é que só agora esses querem contratar Maxi Pereira, Coentrão, entre outros. Tem sido um grande trabalho de organização.

FIGURAS 
Lua Cheia
Angela Merkel
A reação da chanceler alemã ao afirmar publicamente, este domingo, em Munique, que a Europa tem de tomar o tema da segurança com as suas próprias mãos demonstra solidez e firmeza política.

Quarto Crescente
Jean-Claude Juncker
Mesmo que ainda um pouco confuso e generalista, o texto apresentado esta semana sobre a união económica e monetária é um bom contributo para o ciclo novo que se espera na UE.

Quarto Minguante
Theresa May
Aquilo que parecia ser uma vitória folgada nas eleições legislativas de dia 8 começa a assumir contornos preocupantes para a primeira-ministra, que corre o risco de perder vários lugares no Parlamento.

Lua Nova
Ashraf Gani
A violência não para de crescer no Afeganistão, os talibãs controlam cada vez mais território e o Daesh já tem forte presença no país. Problemas que o Presidente afegão não está a conseguir resolver.
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