O regresso de Cavaco

Pedro Santana Lopes

O regresso de Cavaco

Cavaco veio falar do espaço político em que se insere e provocou um debate aceso.
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Por Pedro Santana Lopes|08.09.17
Cavaco Silva voltou e voltou com as vestes de 1985, quando concorreu pela primeira vez à liderança do PPD/PSD. Cavaco fez uma intervenção pouco de acordo com o estilo que têm normalmente os ex- -presidentes da República. Sublinho o normalmente, porque foi muito curioso ler e ouvir que não fica bem a um presidente dizer mal do sucessor e que essa é uma tradição perfeitamente instalada na vida política portuguesa. Sinceramente, deve ser muito grande o consumo de queijo em Portugal porque as pessoas têm muita falta de memória. Não se lembrarão já das violentíssimas críticas que o saudoso Mário Soares fez ao sucessor, não imediato mas sucessor, Cavaco Silva? E nunca se coibiu também de assumir as diferenças e divergências em relação ao antecessor, Ramalho Eanes. E as críticas de Mário Soares ao governo de Passos Coelho alguma vez suscitaram reparos, nomeadamente nos setores que agora criticaram Cavaco? E Jorge Sampaio nunca se distanciou também do governo anterior e das suas opções? Passamos a vida nisto: o que é permitido à esquerda, é proibido à direita. Sinceramente, acho mal. Cavaco tem direito a usar o estilo que entende e a fazer as críticas que considera adequadas. Se são justas ou injustas? É outro assunto. Se seria preferível que tivesse outro estilo e não este? Depende da opinião de cada um. O que é facto é que as palavras de Cavaco tiveram eco no seu setor político. Isso demonstra que, apesar dos bons resultados do governo, não desapareceu a vontade de oposição e de combate político com a veemência, ironia e sarcasmo até, que Cavaco Silva colocou nas suas palavras. Essa realidade deve fazer refletir os responsáveis, e não só os líderes, dos partidos da oposição, PSD e CDS. Esse eco de Cavaco ocorreu mesmo em pessoas que não simpatizam com ele e que gostaram muito pouco do modo como exerceu o cargo de presidente. Mas agora Cavaco veio falar do lado do espaço político em que se insere e provocou debate aceso e reações intensas. A propósito de Soares, lembremos que ele não se coibiu de regressar à política ativa após terminar os  mandatos em Belém. Cavaco foi sempre quase que o oposto de Soares em muitos aspetos, mas pode acontecer que nas opções pós-presidência venham a existir mais afinidades entres ambos do que o que se poderia pensar. Que ninguém se assuste com isso. Tal como se dizia de Soares, que tinha sido sempre assim, um combatente incessante, também se pode dizer de Silva que ele foi sempre assim: mesmo quando não esteve politicamente ativo fez sempre pairar a sombra sobre os políticos em funções. Em vários momentos. Lembremo-nos da atuação de 81 a 85, após ter sido ministro das Finanças de Sá Carneiro, e quando saiu de primeiro-ministro durante os governos de Guterres, e depois até no governo de Durão Barroso, para não falar no que fez durante o meu. Nos governos de Sócrates e Passos Coelho foi presidente da República, portanto a questão não se pôs. Agora que já não está outra vez em funções, volta essa sombra. Cabe aos outros decidir, pelas suas ações ou omissões, a importância que essa sombra terá.

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Hoje e amanhã, o Porto despede-se do verão na Avenida dos Aliados com dois concertos gratuitos, organizados pela Fundação Casa da Música, que incluem uma noite de rock alternativo, juntando em palco os Mão Morta e o Remix Ensemble, e um programa festivo da Orquestra Sinfónica com a direção musical do maestro suíço Baldur Brönnimannde e peças de Tchaikovsky e Joly Braga Santos. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa associa-se à festa, disponibilizando, pela primeira vez nos ‘Grandes Concertos Metropolitanos’, uma plataforma dedicada a espectadores com mobilidade reduzida, para promover um acesso inclusivo à cultura. No Ribatejo, realiza-se a edição de 2017 da ‘Feira de Campo’ na herdade da Torrinha, Coruche, que contará com espetáculos equestres e taurinos, gastronomia, folclore e fado.

Canto Curto: Sporting - Saídas
Já na época passada Adrien e William Carvalho foram tentados por propostas do estrangeiro. Este ano, as propostas (mais ou menos bem formalizadas) voltaram. Um não foi, o outro foi mas não joga. Situação incómoda e embaraçosa que os jogadores não mereciam. No caso de Adrien, o SCP diz que não tem culpa e que espera que o Leicester resolva o assunto. Com William diz que a culpa é do West Ham. É pena pois os jogadores que se destacam têm direito a grandes percursos nas melhores ligas.


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