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Pedro Santana Lopes

Os Presidentes também erram

Todos têm direito a errar, até o Presidente, mas há umas matérias mais sensíveis.

Pedro Santana Lopes 13 de Maio de 2016 às 00:30
É bastante curioso que as reações mais críticas às declarações do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa sobre o acordo ortográfico tenham vindo de responsáveis de outros países da CPLP ou mesmo do seu secretário executivo. Declarações críticas ou de moderação, como até foi o caso de responsáveis de Angola e de Moçambique. O que não se ouviu, certamente, foi uma voz que fosse dos responsáveis dos outros países que compõem a CPLP de apoio à linha política das declarações do novo Presidente português. Nem de Moçambique, nem de Angola, os tais países que ainda não ratificaram. E assume especial significado no caso de Moçambique, porque era o país que Marcelo Rebelo de Sousa estava a visitar em clima de grande alegria e satisfação. Da parte do Governo português já se sabe que houve completo distanciamento nas palavras prudentes do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Quem lê estes textos sabe que tenho elogiado estes primeiros tempos de presidência de Marcelo. Só que, neste caso, e independentemente da posição que se tenha sobre o acordo, não parece muito cordial que um chefe de Estado anuncie em território estrangeiro a sua desvinculação ou o seu descomprometimento com um acordo internacional assinado e ratificado pelo Estado do qual é a mais Alta Figura. Terá sido um deslize? É mais um erro porque Marcelo não fez aquilo sem pensar antes. Não se tratou de um improviso no momento. Marcelo quis, talvez embalado pelas manifestações de simpatia que tem encontrado por todo o lado, concitar o apoio fácil e o aplauso generalizado numa matéria onde para se ser politicamente correto se deve dizer "eu escrevo de acordo com a grafia antiga". Curioso é que nunca ouvi ninguém explicar porque é que considera o acordo de 1945, feito no tempo do regime anterior, tão correto. Esse ou o anterior. É que antes do acordo de 1990 não vigorava a grafia do tempo da fundação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Portanto, quem não gosta deste acordo, com certeza que apoia o anterior e seria curioso explicar porquê. Mas não dou mais para esse peditório.

A questão é política e de responsabilidade institucional e sendo-se Presidente da República os cuidados têm de ser maiores. Marcelo já veio dizer que o acordo ortográfico é um não tema. Eu também estava convencido de que não era, mas quem o tornou um tema foi o próprio. Todos têm direito a errar, até o Presidente, mas há umas matérias mais sensíveis do que outras. E esta tem sido especialmente delicada. Facto é que o Estado português tudo tem feito para ver esse acordo aceite pelos países seus irmãos. Qualquer mudança de posição nesta matéria mereceria uma ponderação, um cuidado e uma sabedoria diplomática exemplares para Portugal não ficar mal na foto... grafia.

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Imperdível: Algarve - Um dos hotéis mais bonitos
Em Tavira já está a decorrer o XIII Festival de Gastronomia do Mar, iniciativa organizada pela Câmara  que conta com a colaboração de inúmeros restaurantes da região, onde o polvo, o atum, o bacalhau, o tamboril, a corvina, o camarão, as amêijoas e a muxama estarão entre os vários tipos de peixe e marisco servidos à mesa. Uma oportunidade de saborear uma das melhores coisas que o Algarve tem para oferecer: a sua gastronomia. E ainda, no Algarve, por que não passar pelo Hotel Bela Vista & Spa, na Praia da Rocha, considerado pela CNN um dos 20 hotéis mais bonitos da Europa. O palacete que acolhe o hotel data de 1918 e mantém ainda a estética romântica que o inspirou. No interior, a decoração é assinada por Graça Viterbo e o restaurante está a cargo do chef João Oliveira. Valerá a visita.

Canto curto: Sporting - Continuidade de Jesus
Quero dizer, antes da última jornada, que considero extraordinária a época do Sporting. Não discuto o mérito da do Benfica, mas aqui falo do clube de que sou sócio. Considero uma proeza o futebol que o Sporting jogou e o ambiente que em Alvalade se criou. E não me passa pela cabeça que o treinador Jorge Jesus não tenha a certeza absoluta de que vai continuar esse trabalho. Sendo verdadeiras as razões pelas quais explicou a sua vinda para o Sporting, elas continuam absolutamente válidas.
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