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Pedro Santana Lopes

Ouvir e ser ouvido

Se não é numa ocasião como esta que o Presidente ouve o Conselho de Estado, então que sentido faz?

Pedro Santana Lopes 13 de Novembro de 2015 às 00:30
Na vida, há quem queira ser ouvido e não consiga e há os que devem ser ouvidos mas não querem. Vem isto a propósito das audiências do Presidente da República antes da decisão séria que tem de tomar sobre a governação do País. É natural que o Presidente reúna o Conselho de Estado, mas, de modo certamente injusto, corre por aí a ideia de que há quem não queira cumprir a obrigação de dar o seu parecer ao Chefe de Estado. Não faz sentido, porque se alguém se quer demitir de tomar essa posição, então já se devia era ter demitido do próprio Conselho. Como já tive ocasião de referir, se não é numa ocasião como esta que o Presidente ouve o Conselho de Estado, então que sentido faz? Ainda para mais quando ouve um conjunto de personalidades e de entidades que não têm essa atribuição e que representam associações e organizações várias da sociedade portuguesa. Mas esta circunstância traz de novo à colação a falta de adequação de algumas estruturas e órgãos à realidade das sociedades contemporâneas, designadamente da portuguesa. O terceiro setor, nomeadamente as misericórdias, devia estar presente, de outro modo, em organismos relevantes e em circunstâncias importantes para a sociedade portuguesa.

No meio de uma situação como esta, vamos todos, naturalmente, reparando em quem fala e em quem não fala, em quem é ouvido e em quem não é ouvido. Não faz sentido algum ouvir as associações patronais, ouvir as associações sindicais e não se ouvirem personalidades representativas da União das Misericórdias ou de outras entidades integradas no chamado terceiro setor. O Presidente da República está, seguramente, bem ciente disso, e mudar os hábitos não compete só a quem ouve, mas também a quem deve ser ouvido.

Sublinhando, pois: se o Conselho de Estado foi ouvido várias vezes em momentos menos importantes do que este durante os mandatos do Presidente Cavaco Silva, como se entenderia que desta vez não o fosse? E como se entenderia que, com a importância que as misericórdias têm e readquiriram, nomeadamente com a crise que o País tem atravessado, que não fizessem também sentir a sua voz para dar conhecer a sua posição sobre o que consideram ser melhor para Portugal?

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Fotografia e balões de ar quente 
Integrada na programação do Lisbon & Estoril Film Festival, a exposição ‘WARonWALL – The Struggle in Syria’ pode ser vista no Paredão de Cascais e mostra fotografias em grande formato que espelham a devastação na cidade de Kobani, na Síria, tiradas pelo alemão Kai Wiedenhöfer, que já ganhou o World Press Photo e o Leica Medal of Excellence. E por estes dias, os céus de Portalegre enchem-se de balões de ar quente no 19º festival internacional da modalidade, que reúne 35 equipas de países como Espanha, França, Inglaterra, Bélgica e Holanda. 

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Liga parada
Pode ser um calendário internacional, pelo menos na parte das seleções, mas não tem sentido um campeonato profissional parar três semanas. É que a Liga só recomeça no final do mês e pelo meio há dois jogos particulares da Seleção e uma eliminatória da Taça de Portugal, mas que se realiza só daqui a uma semana. E com apenas isto, pára a Liga durante três semanas. Porquê? Têm férias? É que quem estava em forma pode perdê-la. Alta competição não é isto.
opinião Pedro Santana Lopes
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