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Reginaldo Rodrigues de Almeida

Português descobre segredo da longevidade

Miguel Coelho está em Harvard há quatro meses, mas a sua equipa descobriu algo que pode significar a cura do cancro dou do Alzheimer

Reginaldo Rodrigues de Almeida 13 de Outubro de 2013 às 15:00

Meio caminho foi andado para alcançar o segredo da eterna juventude. A descoberta coube ao cientista português Miguel Coelho, que aos 30 anos integra uma equipa internacional de investigadores que, em Harvard, identificou a S. pombe, a levedura que fez furor num artigo publicado na revista científica ‘Current Biology'.

A descoberta é resultado de um projeto científico iniciado em 2007 no Institut o Max-Planck of Molecular Cell Biology and Genetics (MPI-CBG), em Dresden, Alemanha, onde Miguel Coelho fez o seu primeiro ano de doutoramento. Além do português, a equipa é chefiada pela cientista alemã Iva Tolic-Norrelykke e integra Simon Alberti (Alemanha), Thilo Gross (Reino Unido) e James Shorter (EUA), entre outros colaboradores. A S. pombe é um microrganismo unicelular que rejuvenesce quando se divide e pode ser o ínfimo princípio de tratamentos para doenças como Alzheimer e cancro.

VIDA DE EMIGRANTE 

Miguel Coelho nasceu em Mirandela mas cresceu em Oeiras, onde passou a infância a ler livros de biologia animal à noite, "com uma lanterna, debaixo dos cobertores".

Filho de uma antropóloga e de um engenheiro florestal, também deve a uma tia, atualmente a fazer o doutoramento no IPO do Porto, o empurrão para a ciência. Sonha, um dia, em regressar, para criar "um instituto" de ciência em Portugal.

Pretende "atrair bons cientistas (incluindo alguns colegas de Lisboa e de Dresden) e alunos de diversas áreas com gosto pela investigação e investir num sistema de networking, em colaboração com outros laboratórios fora do País". Mas explica que ainda não chegou esse tempo: "Hoje em dia muitos cientistas portugueses não têm condições para voltar para Portugal. Um instituto com um elevado nível de interação entre alunos e investigadores principais, com capacidade de atrair financiamento internacional, que permitisse maximizar e incubar ideias em cientistas jovens e ainda criasse novas tecnologias para criar riqueza e investimento... seria um projeto viável e de baixo custo". Mas, para já, o futuro passará certamente pelo pós-doutoramento em Harvard, nos EUA.

PELO MUNDO

Miguel Coelho licenciou-se em 2006 em Bioquímica, em Lisboa, e entre 2004 e 2007 esteve como estagiário e investigador assistente no Instituto Gulbenkian de Ciência. Em 2007, saiu de Portugal para rumar à Alemanha, onde conheceu a mulher, a polaca Karolina Chwalek, na altura a tirar o doutoramento.

Há quatro meses mudou-se para a Universidade de Harvard. Na América, as horas de trabalho são longas e o ambiente internacional. O habitat ideal para germinar a ciência: "A qualidade do equipamento científico é maximizada, e perdemos pouco tempo com burocracia. Viver nos EUA é fácil", conclui.

O dia a dia é preenchido: "Normalmente, trabalho até tarde, o que significa que acordo por volta das 08h00 da manhã para ler e-mails (por essa altura, na Europa são 14h00) e pedalar até ao instituto. Quando chego, começo por fazer experiências na bancada, lançar culturas de células e planear o dia. Não parece muito excitante, mas quando os resultados batem certo (0,001% das vezes!) há um ‘eureka feeling' que é a cafeína do cientista - mais do que qualquer coisa, é a eterna expectativa de descobrir algo novo." Quando essa rotina é quebrada, será provavelmente porque está a dar uma conferência em Tóquio. De resto, gosta de ler: "Autores de países que nunca visitei, como o angolano Agualusa ou o chileno Luis Sepúlveda." Dança música eletrónica, faz natação, futebol e ténis.

Talvez o encontrem no paredão da praia de Carcavelos a jogar vólei, mesmo que seja dia de Natal, e esteja por cá de férias.

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