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Rui Hortelão

Os nossos pinóquios

Saudosos os tempos dos boys licenciados (de facto).

Rui Hortelão 31 de Outubro de 2016 às 01:45
Pinóquio que se cuide, os nossos políticos estão a tomar-lhe o lugar. Embora feitos de matéria bem mais gelatinosa do que a madeira de que é feito a personagem de Carlo Colloddi, os membros desta nova forma de (fingir) fazer política estão a surgir com frequência crescente e com a especialização na mentira sobre o percurso académico.

Esta espécie deriva da evolução da que conhecemos anteriormente, de primeiros-ministros que concluem licenciaturas ao domingo e de ministros que tiram cursos por equivalências. Há ainda os nomeados para cargos para os quais não têm habilitações e os que sobem à tribuna política depois de verdadeiros toureios à Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (Cresap).

Saudosos os tempos em que um ou outro governante não pagava a Sisa, em que a maior infeção da democracia eram os job for the boys. A nova geração já não mente só para ser doutor, sobre uma licenciatura, dá-se ao luxo de mentir sobre dois cursos e ainda recebe louvores oficiais.

Perante isto, se Pinóquio quiser manter o estatuto só Geppetto lhe pode valer. Aos portugueses nem isso, como se vê pelos votos de confiança de uns, os telhados de vidro de outros e pela quase normalidade com que estes casos são recebidos.
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