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Rui Moreira

751 dias

A forma como Paulo Cunha e Silva olhava a cultura, associando a arte e o conhecimento, não tem substituto equivalente.

Rui Moreira 13 de Dezembro de 2015 às 00:30
Paulo Cunha e Silva deixou-nos há um mês. A cidade do Porto prestou-lhe o maior dos tributos, com silêncios, com palmas, com lágrimas. Todo o País se emocionou com a sua morte súbita, prematura.

Quem o conhecia bem, há muito que reconhecia a sua genialidade. Em Serralves, no Porto em 2001, em Itália, em Guimarães.

Ainda assim, foi no Porto, como vereador da Cultura, que o Paulo Cunha e Silva atingiu o reconhecimento que merecia, e viveu a sua grande felicidade.

Em 751 dias, entre a nossa tomada de posse e a sua partida, garantiu que o que parecia impossível era viável; com o seu toque de Midas, mostrou que a cultura não depende apenas de muitos recursos; com a sua sensibilidade, demonstrou, com a "Cultura em Expansão", que esta podia sair do seu conforto; com a cidade líquida, transformou a cidade do Porto num palco e convocou todos os cidadãos a serem atores; com um ritmo frenético, quase vertiginoso, com a sua irradiante e sedutora simpatia, conseguiu congregar vontades e vencer muitas desconfianças.

Sim, é verdade. O Paulo é insubstituível. Para mim, é claro, como seu grande amigo que perdeu o cúmplice de um sonho em que apostámos. Para o Porto, porque perdeu o seu grande programador e intérprete da sua vocação como cidade. E para o panorama cultural português, porque a forma como olhava a cultura, associando a arte e o conhecimento, não tem substituto equivalente.

Tudo isto foi reconhecido nos dias que se seguiram à sua morte: nada será igual depois dele, porque as suas qualidades não podem ser replicadas. Mas, também direi, em sua homenagem mas com toda a convicção, que nesta nossa cidade nada voltará a ser igual ao que foi antes de Paulo Cunha e Silva ter assumido o cargo de vereador da Cultura, nem nada do que construiu se perderá.

A Fábrica Social
Foi ontem inaugurada, na Fábrica Social – Fundação Escultor José Rodrigues, a exposição ‘Eugénio de Andrade - José Rodrigues, Retrato de uma Amizade’. A exposição tenta desenhar os traços de uma amizade pensada na pluralidade de pessoas, factos poéticos, lugares de intimidade, vida transfigurada em arte, prestando homenagem ao poeta por ocasião do décimo aniversário da sua morte. A mostra apresenta, pela primeira vez, o acervo artístico e literário de Eugénio incluindo poemas inéditos.

Turismo
Houve esta semana uma notícia partilhada mais de 1300 vezes a partir do meu Facebook e que mais de 220 mil pessoas leram. Dizia que a TripAdvisor tinha eleito o Porto como o terceiro melhor destino emergente do Mundo e melhor da Europa.

Como sempre, ultimamente, quando o assunto é turismo e as notícias são boas, o regozijo é geral. Há, contudo, cada vez mais comentários de preocupação com o excesso de turistas em algumas zonas. O alargamento da mancha do turismo na cidade e a criação de cada vez mais conteúdos é, por isso, uma estratégia que tem de continuar a ser implementada.
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