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Rui Moreira

A demografia

Vemos autarcas e governantes enunciarem ideias de políticas amigas da natalidade, mas nunca muito assertivas.

Rui Moreira 16 de Abril de 2017 às 00:30
Portugal é um dos países com maiores distorções demográficas em todo o Mundo. Sendo esse um problema em si mesmo, arrasta consigo vários outros, de índole social e económica. Desde logo porque os fracos índices de natalidade, aliados ao aumento gradual da esperança de vida, resultam num crescente envelhecimento da população.
E, assim, à parte ativa dessa população é pedido um esforço fiscal cada vez maior, por forma a sustentar a merecida qualidade de vida dos que já contribuíram para o sistema.

Esse é o princípio do sistema redistributivo solidário, que caracteriza a nossa segurança social e suporta a máquina fiscal. Não está mal que assim seja, pois uma sociedade que não é capaz de assegurar uma vida digna aos que ainda não podem ou já não podem contribuir, não é uma sociedade saudável.

Mas, por outro lado, se as tendências demográficas que conduzem ao envelhecimento não se inverterem, brevemente o Estado não será capaz de manter essa assistência.

Os últimos governos conseguiram encontrar, com relativo sucesso, fórmulas que garantem, por um punhado de anos, uma maior sustentabilidade ao sistema, empurrando com a barriga a idade da reforma para um pouco mais à frente. Mas tal como o agravamento fiscal, esta ideia apenas adia, não resolve.

Pontualmente, vemos autarcas e governantes enunciarem ideias de políticas amigas da natalidade, mas nunca muito assertivas, quase nunca com continuidade e sempre sem resultados.

E quando as dificuldades económicas do país são maiores, mais difícil é aplicar políticas com impacto na demografia, porque elas custam dinheiro.

Por tudo isto, Portugal precisa de olhar para o problema da demografia como um desígnio nacional e geracional. E não se diga que não somos capazes de o fazer. Soubemos fazê-lo no passado, de forma até pioneira, quando num quadro de dificuldade nos deparávamos com o problema inverso e um certo descontrolo da natalidade, e homens como Albino Aroso deitaram mãos à tarefa do Planeamento Familiar. Soubemos fazê-lo quando políticas continuadas puderam fazer de Portugal um país exemplar quanto à mortalidade infantil.

Saberemos, pois, mudar o paradigma perigoso e até vertiginoso do envelhecimento da população se, novamente, especialistas, cientistas, governantes e oposições souberem entender-se, duradouramente, sobre esta matéria e ponham de lado os interesses pequeninos da política conjuntural.

Novo espaço Mira
Sempre gostei muito daquela rua estreita, ali bem perto da Estação de Campanhã, onde há gente boa que canta e fala à Porto apelando à mais genuína cultura portuense.

Foi ali, na rua de Miraflor, que nasceu o Espaço Mira, uma galeria de arte que visito com frequência e onde sempre vou com enorme entusiasmo. Agora, o ‘Mira’ vai estender-se também à rua do Padre António Vieira, que fica ali bem perto, com vista a desenvolver também artes performativas.

A inauguração está marcada para o dia 24 de abril e promete dar à cidade mais um espaço de liberdade artística made in Campanhã, a freguesia onde me permito vaticinar que a cultura vai explodir nos próximos anos e onde, como em nenhum outro sítio, pode impulsionar a economia e o desenvolvimento social.

Intrigas e humor  
A intriga política encontrou nas redes sociais o seu lugar de pasto preferido, tendo esta semana sido alimentada por uma declaração ridícula e absolutamente mentirosa de um eurodeputado que nos tínhamos esquecido que existia.

Ultimamente é assim, quando não podes vencê-los, em lugar de te juntares a eles, lanças lama nas redes sociais (ou mandas que alguém lance) e ficas a ver o que acontece. Faz parte da coisa política dos nossos dias. A verdade é que um jornal humorístico também gostou da brincadeira e resolveu fazer sátira com a declaração em causa. E até eu decidi partilhar o bom humor do ‘Inimigo Público’.

Foi uma delícia ler os comentários dos meus seguidores e ver o feitiço voltar-se contra o feiticeiro.

Protagonistas
Chechénia
O horror
A Federação Russa não pode fingir que não vê nada. A repressão, a tortura e o assassinato da comunidade gay da Chechénia é um crime contra a Humanidade que diz respeito a todos.

FC Porto
A denúncia
Esteve bem o clube ao demarcar-se rapidamente dos cânticos que me abstenho de relatar proferidos por uma claque. Mas não chega. O meu clube não pode apoiar quem subsidia esta gente.

Andebol
Um grande jogo
É pena que a história se faça de gente desta. Porque eu vi o jogo FC Porto-Benfica, e vi duas grandes equipas a lutarem taco a taco. Um espetáculo fantástico, assim estragado por quem não o sabe ver.

Cristiano Ronaldo
O maior
Dirão que me repito ao elogiar o CR7. É verdade, mas ele é o maior embaixador de Portugal. Um símbolo, uma marca, um caso exemplar que repete magia e competência em campo.
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