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Rui Moreira

A galinha dos ovos

Se não houver bom senso e consensos, o Porto corre o risco de perder as suas características diferenciadoras.

Rui Moreira 2 de Novembro de 2014 às 17:07

A Associação de Turismo do Porto anunciou, esta semana, que, no primeiro semestre deste ano, o número de dormidas na cidade aumentou 15,8%. O Aeroporto do Porto está, entretanto, perto dos 7 milhões de passageiros e de bater o seu recorde. O terminal de cruzeiros do Porto de Leixões já ultrapassou o seu máximo e só em setembro recebeu 18 mil passageiros, tantos como em todo o ano de 2009.

Este aumento de turistas no Porto é muito significativo, e premeia todos aqueles que, nos últimos anos, ajudaram a fazer do Porto um novo destino turístico. E, como disse o Presidente do Instituto de Turismo, o Porto conseguiu atingir esse desígnio por ter um caráter genuíno, gerando nos turistas uma sensação de autenticidade.

Sucede, contudo, que o sucesso pode pôr em risco essa genuinidade, se não forem tomadas medidas que ajustem a oferta ao crescimento da procura. Se não houver bom senso e consensos, o Porto corre o risco de perder as suas características diferenciadoras.


É por essa razão que é indispensável alargar e segmentar a oferta, procurando oferecer aos turistas outras fontes de interesse e novos territórios, para além daqueles que já hoje são sobejamente populares e procurados na cidade. Por essa razão, é importante regenerar o Bolhão e o Palácio de Cristal e é essencial criar novos polos de interesse e roteiros temáticos, ajustando a oferta cultural aos novos públicos.

E, da mesma forma, é necessário evitar a gentrificação das zonas da cidade mais procuradas pelos turistas. Por respeito aos interesses dos cidadãos, mas, também, porque sem as suas gentes e os seus negócios tradicionais a cidade perderá o seu caráter. Sem as suas lojas de tradições e os seus cafés, sem os seus habitantes, o Porto deixará de ser a cidade que queremos e que os outros procuram.

É por isso que um presidente da Câmara não pode deixar de agir, dentro das suas competências, para defender as atividades tradicionais da cidade, protegendo-as da voracidade dos que entendem que vale mais a pena matar a galinha dos ovos de ouro do que, carinhosamente, alimentá-la, distribuindo por todos e pelo tempo as enormes vantagens económicas que o turismo pode trazer.

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