Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
8
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

A nossa Grécia

Durante anos, o presidente do Governo Regional utilizou o jornal, que adquiriu à Diocese e que apelidou de sua noiva.

Rui Moreira 28 de Junho de 2015 às 00:30
O Jornal da Madeira é um órgão de informação público, controlado politicamente pelo Governo da Região e pela oligarquia que cresceu e enriqueceu à sombra do regime que Jardim instituiu.

Durante anos, o presidente do Governo Regional utilizou o jornal, que adquiriu à Diocese do Funchal e que apelidou de sua noiva, para desferir ataques aos seus opositores e para remunerar, enquanto cronistas ou administradores, os seus admiradores mais convictos.

O projeto nunca foi, nem poderia ser, sustentável. Basta dizer que o preço de capa do jornal é de dez cêntimos e desconheço a sua circulação diária. A verdade é que tem um défice anual de 2,6 milhões de euros, o que equivale a dez euros por cada cidadão madeirense. Agora, o Governo de Albuquerque quer reduzir o passivo, incorporando a sua dívida de 52 milhões e reduzindo o seu défice para um milhão de euros por ano.

Esta história, quase inacreditável, é muito representativa do que tem sido a governação madeirense. Porque, a coberto do seu invejável estatuto autonómico e da tolerância de sucessivos governos da República, a Madeira foi sempre governada de forma insustentável, mas através de políticas dirigidas à perpetuação do poder.

Por isso, o Governo Regional aposta no futebol, conseguindo ter, na próxima época, três clubes – obviamente subsidiados e com plantéis que parecem a Torre de Babel – no primeiro escalão nacional.

Por isso, a administração madeirense transformou-se, nos últimos quarenta anos, num gigantesco empregador, capaz de albergar os mais empenhados militantes.

Enquanto a ilha ia sendo esburacada por túneis e esventrada por estradas babilónicas, muitas delas inúteis, as contas públicas minguaram na razão inversa à criação de novas e cada vez maiores fortunas.

O que me surpreende é que alguns dos nossos governantes, que agora criticam a Grécia com um tom castigador e muita aspereza, sejam os mesmos que, durante décadas, fecharam os olhos e foram cúmplices do que sucedeu na Região Autónoma da Madeira, onde tudo foi sempre tolerado, com o resultado que se conhece.


Atenção à Open House

Iniciado há 23 anos em Londres, o Open House é uma iniciativa que procura dar a conhecer edifícios que pelo seu valor arquitetónico, pela sua função ou localização, merecem atenção. Sobre eles, o Open House favorece uma abordagem de visita revelando espaços normalmente inacessíveis ao público. Abrangendo três cidades – Porto, Matosinhos e Gaia –, este Open House oferece a 4 e 5 de julho uma lista de 40 edifícios, incluindo projetos de Álvaro Siza, Souto de Moura e Rem Koolhaas.

Do São João ao Bairro do Aleixo 
Esta semana, a página de Facebook esteve particularmente ativa com as festas do São João, mas também porque nela foi partilhada a solução para o Bairro do Aleixo.

As opiniões dividiram-se entre os que ainda achariam possível recuperar as degradadas torres com dinheiro exclusivamente púbico e os que gostaram de saber que, com entrada de um investidor privado, se encontrou uma solução que permitirá o realojamento mais rápido dos moradores.

Na verdade, a questão era de tal forma complexa que interessava sobretudo resolvê-la, sem que o projeto se tornasse ruinoso para as finanças e a favor da qualidade de vida das pessoas, o que se sobrepõe a qualquer preconceito ideológico que, à sua volta, se queira montar.

Jornal da Madeira Alberto João Jardim Funchal Madeira Grécia Open House São João Bairro do Aleixo
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)