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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

Candidato e independente

Serei candidato, mas em condição alguma aceitarei integrar uma candidatura partidária ou aceitarei cargos políticos em Lisboa.

Rui Moreira 17 de Janeiro de 2016 às 00:30
Nos livros de comunicação política não está escrito que uma recandidatura deva ser anunciada a meio de um mandato. Manda a cartilha que haja um tabu e que os políticos escondam, prudentemente, as suas intenções. E mandam as práticas da conduta partidária que espere até ao limite para se comprometer, não vá o diretório abrir melhor oportunidade em Lisboa ou na Europa ou, até, decidir que será melhor candidato no município ao lado.

Chegar a presidente de uma câmara como a do Porto, sem nunca ter sido filiado e sem o respaldo de uma candidatura partidária, foi um pouco mais complicado do que agora possa parecer. Recolher assinaturas, encontrar candidatos, montar uma campanha e ganhá-la sem o empurrão mediático que os partidos sempre garantem através dos seus líderes e dos "boys" que ocupam os painéis de opinião televisivos, o que representa um esforço acrescido.

Foi e é complicado assumir uma candidatura independente, num sistema que protege o "status quo" e que é comandado pelos partidos. Mas tem uma enorme vantagem. A vantagem de hoje poder decidir, na minha intimidade, em total liberdade e consciência, se serei ou não candidato, se poderei ou não assumi-lo e se deverei ou não comunicá-lo.

Quinta-feira, uma hora antes de uma entrevista televisiva, decidi que estava em condições de responder, se me perguntassem, sobre se me recandidatarei em 2017. Além de mim, apenas um colaborador meu o sabia. Foi, por isso, com naturalidade que respondi que "se a vida e Deus mo permitirem, serei candidato" e reafirmei que em condição alguma aceitarei integrar uma candidatura partidária ou aceitarei cargos políticos em Lisboa.

A clareza das minhas palavras, a quase dois anos das eleições, parece ter baralhado a estratégia de concelhias, distritais, conselhos nacionais e direções partidárias. Porque o meu anúncio não cumpriu o desejo de alguns, que preferiam que me mantivesse no limbo, ou porque não lhes foi previamente comunicado.

Respeito muito os partidos políticos, que considero serem o sal da democracia e os pilares do estado de direito. Tal como disse em 2013, aceitarei o apoio dos que se sentirem bem a fazê-lo. Há, contudo, algo que garanto. Nunca me condicionarão; nem o meu programa nem o meu pensamento. E nem sequer condicionam o meu tempo.

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Visita às ruas da Sé
Nasci na freguesia da Sé, no Porto. Sinto-me lá, na rua, como em casa. E é ali que sinto pulsar o coração da cidade. Esta semana sugiro-lhe um passeio pelas ruas da Sé, muitas delas desconhecidas até por muitos portuenses. A começar nos claustros da Sé Catedral, porque a descer todos os santos ajudam, e a continuar na Igreja dos Grilos, com uma demorada paragem no miradouro, ao seu lado. Uma igreja que esconde o seu altar mais imponente – descubra-o – e que se abre sobre a cascata são-joanina que é a encosta até ao rio Douro. Até à rua Mouzinho da Silveira a viagem entala-nos entre casas e sotaques. Uma viagem que, se fizer devagar, o vai seduzir e lhe dará uma melhor noção do que foi e ainda é o Porto. Uma cidade que nasceu precisamente na Sé e que ainda esconde muitos segredos.

Rally de Portugal no Porto 
A semana que ontem terminou foi a de maior atividade na minha página de Facebook, desde sempre. Uma das explicações foi o anúncio de que estamos a preparar, com o ACP, uma classificativa do Rally de Portugal no centro da cidade, já este ano. A popularidade do Mundial de Ralis e o ineditismo, no Porto, de uma competição desta natureza em plena baixa deixaram muitos fãs do automobilismo satisfeitos. Mas não só. A política de diversificar acontecimentos desta natureza, capazes de, simultaneamente, oferecer grandes espetáculos e divulgar, por públicos distintos, a excelência do nosso destino turístico parece agradar aos portuenses, que, independentemente dos seus gostos, percebem a sua importância.
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