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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

Dedo no gatilho

A par da pena de morte, a questão da posse de armas é, sem dúvida, um dos lados mais abjetos da cultura norte-americana.

Rui Moreira 4 de Outubro de 2015 às 00:30
Segundo dados da NRA – National Rifle Association, desde 1991 os norte-americanos adquiriram legalmente mais de 170 milhões de armas de fogo. Muitas destas são armas de guerra automáticas e sem qualquer interesse como instrumento de defesa.

O lobby da NRA, um dos mais poderosos em Washington, promove os interesses económicos da indústria, influenciando leis, candidaturas políticas e defendendo, intransigentemente, o direito individual de posse de arma de fogo, previsto numa das emendas constitucionais.

A influência deste lobby é tal que, em muitos estados americanos, onde o consumo de álcool é proibido até aos 21 anos, um adolescente com 14 ou 16 anos pode adquirir legalmente uma arma de fogo.

Há, naturalmente, coincidências terríveis. É o caso da sentença de setembro de 2011 do tribunal da relação do Estado de Oregon, que determinou que as universidades daquele Estado não eram competentes para proibir o porte de armas nos seus ‘campus’. Não terá sido essa a causa, mas foi nesse mesmo estado, e numa das suas universidades, que sucedeu a última carnificina.

Pelos mais diversos motivos, têm-se sucedido episódios desta natureza, em que cidadãos armados resolvem assassinar vizinhos, colegas de trabalho ou de escola, antes de eles próprios se imolarem.

A par da pena de morte, que ainda persiste em muitos estados dos Estados Unidos, a questão da posse de armas de fogo é, sem sombra de dúvida, um dos lados mais abjetos da cultura norte-americana, sempre pronta a apontar o dedo a outros países que violam os Direitos Humanos.

Esta é uma questão que o presidente americano, Barack Obama, não conseguiu resolver mas que não pode deixar de ser encarada, à medida que as carnificinas se vão repetindo e multiplicando.


‘À margem da alegria’
O projeto Cultura em Expansão, da Câmara do Porto, continua a percorrer bairros e zonas da cidade: Aldoar, Bonfim, Bouça, Cerco, Ilha da Bela Vista, Pasteleira e São Victor. Sexta-feira estreou, no antigo Matadouro de Campanhã, ‘Arquipélago’, um projeto comunitário composto pelo espetáculo intitulado ‘À Margem da Alegria’ e pela exposição ‘Sem Volta Nunca Mais, Uma Pequena História do Possível’. Pode ser visto nos dias 9, 10, 16 e 17 de outubro às 21 horas. Entrada gratuita.

Dois anos das autárquicas
No dia 29 de setembro assinalaram-se dois anos sobre as eleições autárquicas de 2013. O período de campanha eleitoral atual fez com que essa efeméride passasse quase em claro na comunicação social. E nem é mau que assim seja. Mas a publicação, no meu Facebook, da imagem da nossa simbólica "pão de forma", sinalizou toda a vontade e voluntarismo dos muitos anónimos que se foram juntando à nossa campanha de então. Os comentários foram de saudades desse tempo em que diariamente nos fazíamos à rua. Saudade porque a nossa campanha não foi uma luta pelo poder, mas um verdadeiro movimento de cidadania, que recordamos com orgulho e que só podia ter acontecido no Porto.
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