Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
3
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

Educação: sem razão?

Antes de se adotarem medidas extremas e monolíticas seria importante requalificar a escola pública.

Rui Moreira 29 de Maio de 2016 às 01:45
A questão dos colégios privados com contrato suscitou uma divisão ideológica num país que, depois de 40 anos de bloco central, está hoje dividido a meio. Falta, a ambos os lados, a serenidade que se exigiria.

A direita tenta fragilizar o Ministro da Educação – acreditando que este é o elo mais fraco – enquanto a esquerda se radicaliza, agitando papões há muito enterrados. Entre obstinações e direitos adquiridos, tem-se ignorado o cerne da questão. Ou seja, ninguém quer falar de uma verdade muito inconveniente, e que tem que ver com a evidente e indesmentível desconfiança que a classe média, ou o que resta desta, tem relativamente à escola pública.

De facto, e com raras exceções, o maior desejo de uma família da classe média – essa classe média que paga grande parte dos impostos – é encontrar forma de evitar que os seus filhos tenham de frequentar uma qualquer escola pública.

O que é precisamente o contrário do que sucedia há cinquenta anos. E antes que algum dos leitores venha dizer "ora, lá vem este", quero dizer que frequentei o liceu público entre o 1º e o 7º ano e tenho não apenas boas recordações mas, também, a firme convicção que essa foi uma excelente opção dos meus pais.

O que sucede é que a escola pública não se ajustou, não foi capaz de corresponder ao crescimento da procura, fruto do alargamento do ensino obrigatório e do acesso generalizado ao ensino secundário que antes não era acessível a uma parte da população. Essa incapacidade transformou a nossa escola pública num local onde tudo pode acontecer de forma aleatória.

Onde os nossos filhos podem ter sorte ou azar de ter um professor que aparece às aulas, e que pode ou não ser exemplar, competente e capaz de impor a ordem; onde podem ter a sorte ou o azar de os colegas serem mais ou menos pacíficos e obedientes; onde podem ter a sorte ou o azar de haver uma associação de pais que ajuda a escola ou interfere naquilo que não sabe.

Convenhamos: ninguém quer sujeitar os seus filhos a esta roleta russa. É por isso que, mesmo antes de se adotarem medidas extremas e monolíticas, seria importante requalificar a escola pública com medidas políticas consequentes que combatam a impunidade e recuperem a ordem e a disciplina que podem ser palavras que não estão na moda, mas são essenciais num estabelecimento de ensino.

PIGS na Galeria Municipal
A sigla PIGS, usada para referenciar os países da zona Euro cuja situação económica e financeira declinou sob o peso da austeridade, dá o título a uma exposição coletiva que questiona ironicamente o significado de "viver acima das suas possibilidades".

Depois de ter sido apresentada em Vitoria-Gasteiz, no País Basco, a exposição será inaugurada no Porto, no próximo dia 3 de junho, às 19 horas, na Galeria Municipal do Porto.

As obras apresentadas são um retrato dos paradoxos da unificação europeia e a ambiguidade contida nos discursos mediáticos sobre a relação entre os países da Europa do Norte e os países PIGS. Os artistas portugueses presentes na exposição são: Carla Filipe, Nuno Cera, Priscila Fernandes e Vasco Araújo. A entrada é livre.

O Rally e a língua portuguesa
Como sabem, nunca simpatizei com o Acordo Ortográfico. Mesmo estas crónicas são escritas na antiga ordenação, que o jornal "corrige" para a nova. Vem isto a propósito de um comentário colocado no meu Facebook, criticando o facto de a classificativa do Rally de Portugal se chamar "Porto Street Stage".

A crítica sugeria que se passasse "do antigo acordo diretamente ao inglês", ironizando com o facto de se usar um estrangeirismo para designar a prova. Ora, neste caso, a designação é mesmo internacional e faz parte da nomenclatura do Campeonato do Mundo. Uma classificativa numa cidade será, por isso, para a Federação Internacional, uma "Street Stage", seja no Porto, em Barcelona ou em Buenos Aires.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)