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Rui Moreira

Elogio a Metro

Houve tempo em que o transporte público fazia cidade.

Rui Moreira 8 de Novembro de 2015 às 00:30
Houve tempo em que o transporte público fazia cidade. Foi assim no final do século XIX, quando o chamado ‘americano’ chegou ao Porto, onde o caminho que os carris traçavam à superfície era também o roteiro da proliferação urbana.

Mais tarde, trocou-se a tracção animal pela eletricidade, mas, depois da Grande Guerra, quando tudo parecia indicar que o transporte público seria um dos principais instrumentos de desenvolvimento, o automóvel tomou conta da situação.

Ao contrário do transporte público, o automóvel assumiu um carácter anárquico e condicionador nas novas áreas de expansão urbana, e as cidades tornaram-se, rapidamente, poluídas, irracionais e, por vezes, insuportáveis. Os cidadãos usam o transporte individual por o acharem vantajoso e, com isso, prejudicam o transporte colectivo, cuja eficiência se reduz com o congestionamento, que o torna menos competitivo, o que incentiva o uso do automóvel.

Este círculo vicioso não se resolve com a simples proibição do automóvel em zonas limitadas da cidade, como já acontece em certas áreas do Porto, pois não resolve os grandes movimentos pendulares diários.

A segregação completa dos caminhos do transporte público, nomeadamente, através do enterramento de linhas férreas, foi por isso a solução encontrada pelas grandes cidades e, quando o Metro chegou ao Porto, apenas 100 anos mais tarde, os resultados foram espectaculares para a qualidade de vida de toda a área metropolitana. Além das vantagens de mobilidade, o Metro do Porto ajudou a baixar em mais de 20% as emissões de CO2 na cidade.

É pois chegado o tempo de voltarmos a colocar em cima da mesa a necessidade de expandir a rede de Metro no Porto, densificando-a na malha mais urbana, como estava previsto. Num quadro comunitário que nos dizem ter tantas preocupações acerca do desenvolvimento social, económico e de eficiência energética, não faz sentido que este não seja um desígnio prioritário. Não apesar da escassez de recursos, mas por causa dela, já que é um meio de transporte ecológico e financeiramente sustentável.

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Alternativas
Toda a Obra de M. Oliveira: Sempre perguntava a toda a gente: viu os meus filmes? A maior homenagem que a cidade lhe pode prestar é, pois, a exibição de toda a sua obra. Por iniciativa da Câmara do Porto, isso vai acontecer a partir de terça-feira. No Rivoli, no Campo Alegre, em Serralves e no Passos Manoel, a começar pelo histórico ‘Douro, faina fluvial’ e a percorrer a sua extensa filmografia, o ciclo ‘Grande Plano’, dedicado a Manoel de Oliveira, termina a 12 de dezembro. Há mais informação em www.porto.pt. 

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Ruas do Porto  
A Câmara Municipal do Porto produz um programa de TV, que difunde no seu portal, chamado ‘Ruas do Porto’. O último episódio é sobre uma zona da cidade de que gosto particularmente, onde sinto o Porto mais genuíno respirar.

A zona da Sé é, de facto, o coração da cidade. As reacções à partilha do episódio na minha página do Facebook mostram que não estou sozinho nesse sentimento que tenho pela Sé e, em particular, pelo Largo do Colégio.

O meu facebook www.facebook.com/ruimoreira2013



opinião Rui Moreira
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