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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

Les uns et les autres

O escândalo no Luxemburgo conhecido esta semana é a prova de que não é legítimo o anátema lançado contra o Sul.

Rui Moreira 9 de Novembro de 2014 às 00:30

Alguém nos quis enganar. Convenceram-nos de que havia uns e os outros. Uns eram sérios, trabalhadores e nunca falhavam. Os outros eram artistas, mandriões, desonestos e incumpridores. Uns estavam mais a Norte. Os outros estavam mais a Sul.

Com base neste pressuposto, elaborou-se todo um discurso político e pediu-se aos outros que pagassem com "língua de palmo" todos os seus pecados capitais, em nome da merecida e conquistada qualidade de vida de uns.

Esta semana – 25 anos depois da queda do Muro de Berlim e 70 depois do fim da II Guerra Mundial – descobrimos que a Europa continua a não aprender com a História, que tantas vezes lhe provou que não deve rotular os seus cidadãos em função da geografia e, muito menos, os deve separar entre bons e maus.

O coração da Europa, nascido no chamado Benelux, mas tomado pelo propalado "motor da economia", foi dando aos outros – os do Sul – sucessivas "ajudas", mas também violentas lições de moral.

No centro da decisão, de onde emanavam insuspeitos líderes europeus, comissários e diretivas, estava um pequeno país. Um país "charneira", que pelo seu modelo de "governance" quase perfeito e por não fazer sombra à Alemanha nem à França, se apresentou como uma espécie de exemplo de humilhação para os incumpridores.

Ali, no Luxemburgo, estava o modelo que, vergonhosamente, não sabíamos imitar. Ou quantas vezes nos atiraram à cara a produtividade dos nossos emigrantes nas suas empresas?

O escândalo conhecido esta semana nesse pequeno país, onde funcionava um paraíso fiscal informal e secreto, capaz de capturar parte da economia das grandes empresas instaladas na Europa, é a prova de que não é legítimo o anátema lançado contra o Sul. E que a estagnação em que a União Europeia caiu nos últimos anos pode ter, afinal, explicações bem mais complexas.

Espero que tudo isto não seja, afinal, a ponta de um "iceberg" de abuso de posição dominante e concorrência desleal que, há décadas, esteja a ser praticado pelo "coração da Europa" sobre os países do Sul.

Alternativas

Cinema com o Porto post doc

O Porto tem um novo festival de cinema internacional. Chama-se Porto Post Doc e vai decorrer entre os dias 4 e 13 de dezembro em várias salas de cinema do centro da cidade. Trata-se de um festival de grande público, dedicado a um género da maior relevância na história do cinema e na contemporaneidade: o documentário.

O Porto já teve uma tradição de salas de cinema que se foi perdendo com a migração para as salas-estúdio dos grandes centros comerciais da periferia.

Este festival propõe-se, também, ajudar a inverter essa tendência. Marque, por isso, na agenda. Vai valer a pena.

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Portuenses não vão pagar mais

Esta semana foram feitas muitas perguntas acerca da concessão do estacionamento anunciada no Porto. Muitas pessoas perguntavam se passariam a pagar mais após a concessão. A resposta é negativa. Os portuenses não pagarão mais. Mas há que esclarecer algo que, muita gente, não terá noção: até agora, face à escassez de meios de fiscalização, só cerca de 10% dos lugares ocupados geram efetivamente receita e a Câmara está impedida de contratar mais meios para fiscalizar. Esta situação, além de lesiva para as contas da Câmara, transporta para a segunda fila o estacionamento de rotatividade que deveria ser feito nos lugares pagos, prejudicando a mobilidade na cidade.

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