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Rui Moreira

Lição de democracia

Movimento independente que venceu sem maioria absoluta consegue aprovar orçamento com o voto de 11 dos 13 vereadores.

Rui Moreira 1 de Novembro de 2015 às 00:30
A 29 de setembro de 2013, fiz um discurso que terá sido ouvido no país. Em noite de eleições, afirmei que a nossa vitória "apenas poderia ter acontecido no Porto". Irritei as estruturas partidárias e suscitei a crítica de alguns comentadores quando disse que "ou os partidos percebem o que se passou no Porto ou, então, não percebem nada".

Durante o primeiro ano de governação, muitas vezes ouvi dizer que no meu executivo havia CDS a mais, partido que apoiou a minha candidatura. Outras vezes, que quem mandava na Câmara era o PS, com quem tinha feito um acordo de governação pós-eleitoral. Esses remoques politiqueiros nunca ocuparam o meu tempo nem me desviaram do rumo de um contrato que tinha firmado com os portuenses.

Dois anos de governação volvidos, já não oiço dizer que há CDS a mais ou que quem manda na Câmara do Porto é o PS. Os que se dedicavam a esses soundbites, ou se calaram ou deixaram de ser ouvidos, esmagados pelo vazio das suas afirmações e pela indiferença do público.

Esta sexta-feira, contudo, dois dos três vereadores do PSD – partido que legitimamente tem procurado fazer oposição à minha governação – decidiram, em consciência, votar favoravelmente o orçamento para 2016 que lhes apresentei.
Ou seja, no Porto, um movimento independente que venceu as eleições sem maioria absoluta consegue formar uma coligação e, dois anos depois, pode aprovar um orçamento com o voto de 11 dos 13 vereadores. Mesmo que dois deles sejam do PSD, que é oposição.

A votação "fora da caixa" de Amorim Pereira e Ricardo Valente, ainda que contra a orientação da sua concelhia, será o primeiro sinal de que alguma coisa está a mudar nos partidos e uma rejeição dos truques dos diretórios? Será esta votação mais uma lição que o Porto dá ao país?


Os segredos do universo
Não resisto a voltar a escrever sobre o Fórum do Futuro, que se inicia na próxima quarta-feira. Na semana passada chamei a atenção para a conferência de Gilles Lipovetsky, dia 7 de novembro, sobre os desafios da felicidade na sociedade de hiperconsumo. Hoje, deixo o conselho para que não percam o que tem John C. Mather, prémio Nobel da Química, a dizer sobre a felicidade, a luz e os segredos do Universo. O Fórum do Futuro começa nesse dia e estende-se até domingo com sessões em Serralves.

Pontes
O estilista Luís Buchinho disse há dias, numa entrevista, que no Porto até a meteorologia mudou, para classificar a cidade como sendo agora vibrante e cosmopolita. Diz que, de repente, o Porto acordou. Não sei se a meteorologia mudou ou se são os nossos olhos e a nossa pele que veem e sentem a cidade diferente. O que mais encanta no Porto é precisamente a capacidade de nos surpreender e de se reinventar. Esta imagem, captada esta semana pelo telemóvel durante uma travessia do Douro, mostra como uma ilusão de ótica pode, até, criar novas pontes. Publicada esta semana no meu Facebook, bateu todos os recordes de "likes".
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