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Correio da Manhã

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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

O êxodo mortal

A tragédia do Mediterrâneo é aflitiva.

Rui Moreira 26 de Abril de 2015 às 00:30

Os números dos mortos e daqueles que têm sido resgatados das águas atingem dimensões bíblicas, pela sua dimensão humana. Já morreram este ano mais de 1700 pessoas e muitas outras sofrem agruras impensáveis. É, também, uma ameaça para a Europa. Basta lembrar que no ano passado os pedidos de asilo na UE, de países tão diversos como a Síria, o Sudão ou o Mali, excederam os 600 mil. Só a Alemanha acolheu 200 mil refugiados e, este ano, haverá um aumento de 50%. Independentemente do custo envolvido e da impossibilidade de ajustar os recursos de acolhimento a esta vaga crescente, um fenómeno desta dimensão e natureza suscita sentimentos de revolta e de incompreensão que vão reforçando a popularidade dos movimentos xenófobos.

Como ouvi esta semana em Jena, uma pacata cidade da antiga República Democrática Alemã, é difícil explicar à população local por que faltam recursos públicos para construir um pavilhão ou uma escola se há dinheiro para garantir o acolhimento de refugiados. E este sentimento assola um país que, fruto dos erros do passado, tem assumido uma posição de grande abertura, solidariedade e generosidade para com os refugiados. Estamos pois confrontados com uma emergência humanitária que resulta de um êxodo de dimensão inédita, com um enorme impacto económico, social e político na Europa. E isso obriga a que os países europeus façam escolhas.

De pouco adianta combater as redes ilegais ou impedir o embarque de refugiados através de acordos com países do outro lado do Mediterrâneo que não têm vontade, recursos ou condições para absorver o problema. Por isso, ou a Europa cria condições para receber mais e mais asilados, ou terá de se empenhar em contribuir para o desenvolvimento e sustentabilidade dos países que estão na origem do êxodo. É uma tarefa de dimensões gigantescas, mas certamente a melhor das soluções para todos nós europeus. É tempo de a Europa ter, por uma vez, uma política externa que honre os seus princípios civilizacionais.

A corrida solidária

A 3 de maio partirá do Porto uma corrida solidária que percorrerá Matosinhos, V. N. de Gaia, Espinho, Murtosa, Ovar e Aveiro. A prova disputa-se em dezenas de países e só termina quando o último concorrente parar. As inscrições terminam hoje, mas ainda está a tempo de se inscrever numa das equipas nacionais e representar o Porto. A Wings for Life World Run canaliza 100% da receita para pesquisa da cura de lesões da espinal medula. Ver www.wingsforlifeworldrun.com/pt/pt/porto/.

O bolhão e um prémio internacional

Dois temas provocaram uma quase unânime onda de comentários positivos e de ‘gostos’ no meu Facebook esta semana. A notícia de que o Mercado do Bolhão vai ser recuperado e a notícia de que a recentemente lançada marca ‘Porto.’ já ganhou um importante prémio internacional. Este consenso de contentamento em torno destes dois acontecimentos mostra de que o Porto é hoje exatamente aquilo que sempre julguei que era: uma cidade intransigente quanto à defesa do seu mais tradicional património.

 

Protagonistas

Rebordão Navarro Teve um final de vida triste e não teve o reconhecimento devido, principalmente pelos seus pares. Mas a sua obra perdurará para sempre.

Girão Pereira Conheci-o no liceu, há mais de 40 anos. Um homem competente, comprometido com as suas causas, de uma amabilidade que deixa saudades.

Lee Kuan Yew Construiu um país feliz. Não são apenas as democracias ocidentais, que nunca o compreenderam, que conseguem realizar os sonhos dos povos.

Tribunal constitucional A auditoria do Tribunal de Contas é clara e precisa. É preciso que o Tribunal Constitucional compreenda que deveria dar um bom exemplo.

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