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Rui Moreira

Portugal pirómano

Culpam-se os eucaliptos, mas a verdade é que as matas das celuloses, limpas e vigiadas, não ardem.

Rui Moreira 14 de Agosto de 2016 às 00:30
Tentei, em vão, resistir à tentação de escrever sobre os incêndios em Portugal. Até porque o fiz no passado e a situação não se alterou. O ordenamento do território é o que é, os portugueses são o que são. E, sendo assim, não haverá floresta que resista, agora que já não recorremos a ela para a cama do gado ou como fonte de combustível caseiro.

Há quem garanta que os eucaliptos são os responsáveis. Outros asseguram que os pinheiros são os culpados. A verdade é que as matas das celuloses, limpas e vigiadas, não ardem. O que arde é a mata desordenada e abandonada. E, salvo casos raros, não arde espontaneamente. Arde por obra da negligência e da ignorância, pelas queimadas, pelas beatas, pelos foguetes, pelos barbecues e piqueniques. Arde, também, pela mão criminosa dos incendiários, motivados por inveja, vingança ou interesse, e pela loucura incontrolável dos pirómanos.

Poderia arder menos se houvesse prevenção? Sim. Se a mata estivesse limpa, se não houvesse casario disperso em plena área florestal. Basta olhar para as imagens que nos chegam de incêndios junto a casas, muitas delas modernas, rodeadas de erva alta e de silvas.

Poderia arder menos se a justiça funcionasse. Deixar suspeitos reincidentes a aguardar julgamento em liberdade não parece boa ideia e não deve haver clemência se o preso por fogo posto for bem comportado na cadeia, onde há pouca coisa para arder. Também a cobertura jornalística poderia ser diferente, evitando aquecer o voyeurismo dos pirómanos.

Tudo isto é evidente e repetitivo. Depois, claro, a oposição culpa o Governo, composto por aqueles que no ano passado culpavam o governo de então, que agora é oposição.

Parece complicado, mas é assim, e já ninguém liga. Na rua, por entre boatos desconexos, inventam-se terrorismos e complots. Nas redes sociais, chora-se baba e ranho enquanto os linchadores do costume lançam ideias abomináveis, pedindo no mínimo a pena máxima e no máximo a pena de morte. É assim o verão em Portugal, nos anos em que não chove. Vai ser sempre assim, trágico e triste. Depois vem a chuva e a gente esquece. Os portugueses são o que são. Portugal é o que é.


Pigs até 21 de agosto
Encerra a 21 de agosto, na Galeria Municipal do Porto, a exposição ‘PIGS’. Tem a curadoria de Blanca de La Torre e inclui obras de artistas de quatro países: Portugal, Itália, Grécia e Espanha. A sigla PIGS foi usada para referenciar os países da Zona Euro cuja situação financeira declinou sob o peso das medidas de austeridade no início da década e dá o título a esta exposição internacional coletiva que questiona, irónica e subversivamente, o significado de "viver acima das suas possibilidades". Os artistas portugueses presentes na exposição são: Carla Filipe, Nuno Cera, Priscila Fernandes e Vasco Araújo. Esta exposição faz parte de um projeto mais amplo, envolvendo a Galeria Municipal do Porto, e em que participam os quatro países em que se foca. 

Seleção nacional no Porto  
O anúncio de que a Seleção Nacional vem jogar ao Porto o primeiro jogo após o Euro agradou a muita gente. Mas também desagradou a alguns, que não esqueceram que, logo após o Euro, só festejaram em Lisboa. Creio que nos deveríamos deixar dessas quezílias. Os jogadores foram, em França, verdadeiros heróis e, mesmo com apenas meia dúzia de dias para descansarem antes do regresso aos clubes, não deixaram de vir a Portugal agradecer o apoio. Agora, na primeira oportunidade, e bem, a Federação Portuguesa de Futebol traz os jogadores ao Porto, não só para jogarem no Estádio do Bessa, mas também para festejarem com os portuenses de uma forma diferente. Aguarde-se o anúncio do que irá acontecer.
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