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Rui Moreira

Taxa para minimizar a pegada

O Porto é a cidade portuguesa onde os preços da hotelaria mais sobem, o que não afasta os turistas.

Rui Moreira 10 de Janeiro de 2016 às 00:30
Os preços da hotelaria no Porto continuam a subir. Em janeiro, o crescimento foi superior em 20%. Mas o fenómeno é constante e coincide com o crescimento das taxas de ocupação. O Porto é, por isso, a cidade portuguesa onde os preços da hotelaria mais sobem, o que não afasta os turistas. Mais significativo é este fenómeno ocorrer enquanto cresce a oferta hoteleira na cidade.

O que quer isto dizer? Que os preços eram demasiado baixos? Que o Porto apresenta uma atratividade crescente? Que atrai turistas com maior poder de compra? Que a cidade se está a consolidar como destino? Que continua a existir margem de crescimento? Aparentemente, todas estas questões sugerem respostas positivas.

O ponto de partida dos preços da hotelaria no Porto era muito baixo, o que faz com que os valores permaneçam competitivos. E sim, o Porto oferece cada vez mais conteúdos aos seus turistas, que provêm de origens cada vez mais distantes. E há investimentos privados que demonstram grande confiança no futuro e na consolidação do destino. Por fim, o aeroporto e o terminal de cruzeiros têm capacidade instalada para operar um número superior de chegadas. Entretanto, os portuenses souberam adaptar-se ao novo filão, criando uma cultura de acolhimento e usando o melhor da sua genuína hospitalidade.

Está tudo bem, então? Não, não está. Nem nos podemos deixar enfeitiçar pelos números, nem podemos ignorar os efeitos secundários do remédio chamado turismo.

Tal como aconteceu na época da industrialização, o turismo também deixa a sua pegada, exigindo maiores investimentos na cidade em áreas como o ambiente, segurança, animação e mobilidade.

Não terá, por isso, chegado a hora de lançarmos um debate sereno e sem tabus sobre uma taxa hoteleira que possa minimizar a pegada? Uma taxa cuja receita não se esgote nos seus próprios instrumentos de cobrança e seja, simultaneamente, sustentável para o setor?

Se assim concluirmos, é também indispensável que se determine qual a alocação mais sensata dos recursos que daí resultariam. Deve a receita ser reinvestida em projetos de interesse turístico, valorizando o destino e a sua promoção? Ou deverá servir como uma receita não diferenciada, que alivie a carga fiscal dos portuenses?

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Alternativas

Street Art na Restauração
Na semana passada escrevi nesta página sobre a tela na qual se pode transformar uma cidade. Ora aqui está uma oportunidade para que os artistas de street art voltem a usar a cidade do Porto como tela. Estão abertas as candidaturas para a terceira fase do Mural Coletivo da Rua da Restauração. Os que estiverem interessados podem concorrer até ao próximo dia 10 de fevereiro. As intervenções artísticas escolhidas serão inauguradas a 19 de março. Mas, enquanto os novos artistas não criam um novo mural, não deixe de ver as intervenções vencedoras da segunda fase do projeto, da autoria de Alma, Third, Purple Charles, Elleonor, Miguel Paulo, Jaime Ferraz e Chei Krew, que estarão patentes até ao dia 19 de fevereiro. Mais informação no site da Porto Lazer (www.portolazer.pt).

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Programação do Teatro Municipal  
Foi um dos momentos altos da minha semana e, também, da minha página no Facebook. O Grande Auditório do Teatro Rivoli encheu-se com 600 pessoas para assistirem à apresentação da temporada 2016 do Teatro Municipal do Porto. Esta aparente "anormalidade" foi também visível na minha página no Facebook, onde um número muito elevado de pessoas comentou e partilhou esse momento. Praticamente, não me dei conta de críticas ou avaliações negativas, o que faz hoje do projeto que lançámos em finais de 2014 um dos mais consensuais e participados na cidade. O cruzamento de artes e de públicos e a aposta primordial na dança são, por isso, apostas ganhas de um projeto de que a cidade se orgulha.
 
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