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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

Tempestade no Canal

Ao não ser acompanhado por uma verdadeira união política e federal, o passo da moeda única dividiu o Continente.

Rui Moreira 28 de Fevereiro de 2016 às 00:30
Há 30 anos, o Grupo Novo Rock cantava "Quero ver Portugal na CEE". Por irónica que fosse a letra da canção, o facto é que a integração europeia era vista como um dos grandes desígnios de então.

Dez anos depois, deu-se novo crescimento. Já não a Sul, mas mais a Norte, com os escandinavos.

Passada mais uma década, voltou a falar-se de alargamento da rebatizada "União". A inclusão de países de Leste, que apresentavam economias prometedoras após queda dos muros, estendia definitivamente o projeto, que tinha epicentro político em Bruxelas, mas que girou sempre em torno do eixo económico de Berlim.

Esta fase de alargamento já não foi, contudo, acompanhada pelas mesmas melodias entusiásticas que caracterizaram o crescimento da mancha da União, que começou a sobrepor-se à do continente. Países como a Noruega ou a Suíça preferiram ficar de fora, não ficando completamente de fora, adotando alguns aspetos de integração, mas mantendo a soberania.

Mesmo dentro da chamada "União" havia já duas ou mais velocidades. Uns adotando o Euro e outros mantendo a moeda. Esse foi, talvez, um momento-chave. Ao não ser acompanhado por uma verdadeira união política e federal, o passo da moeda única dividiu o continente. Transformou o desígnio da coesão no da divisão e a ideia do projeto social europeu num conjunto burocrático de regras impossíveis de cumprir.

Nestas quatro décadas que se seguiram à entrada da Grã-Bretanha, passou-se de um paradigma de países que queriam estar, não estando, para um novo modelo de países que estando, não querem estar. Na Grã-Bretanha discute-se o "Brexit", excomunga-se para sempre o Euro e elogia-se o individualismo.

Entendo bem David Cameron e até a opinião pública britânica. Assustada com uma Europa que não cresce economicamente, que não conseguiu arquitetar as suas boas intenções num verdadeiro orçamento que lhe sustentasse a moeda única e que desespera com os movimentos migratórios. Mas não entendo uma Europa que se põe na posição de poder ouvir um discurso de um Primeiro-Ministro de um dos seus membros autoelogiar-se por ter conseguido tirar o seu país de tudo o que constitui o desígnio europeu sem que, por consequência, bata mesmo com a porta.

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Design no Porto 
Está patente no átrio principal dos Paços do Concelho no Porto, até 22 de abril, a exposição ‘Design da Cultura - Cultura do Design’, com curadoria de Márcia Novais e Luís Pinto Nunes.

A exposição revisita alguns dos principais projetos desenvolvidos pela Câmara Municipal do Porto durante o ano passado, através dos diversos materiais de comunicação - mupis, flyers, cartazes, desdobráveis e catálogos. As diversas linguagens utilizadas nos diferentes projetos tornam assim possível compreender que as múltiplas propostas gráficas espelham a estratégia da cultura municipal, assim como a existência de uma cultura de investigação, valorização e potenciação do design gráfico e de comunicação da autarquia. A exposição inclui 21 trabalhos de designers e ateliers de design portugueses.

TAP: O Norte unido
Nas últimas semanas muita gente criticou no Facebook os autarcas do Norte por não se manifestarem na questão da TAP e do Aeroporto do Porto. Mas isso não é bem verdade e é, até, um pouco injusto. O que muitas vezes acontece é que nem sempre a comunicação social nacional lhes dá o devido relevo e a sensação que fica é que nada dizem. Esta semana, o Conselho Regional do Norte mostrou ao país que o Porto não está a falar sozinho e que o Norte tem gente capaz de representar bem os interesses nacionais. Mais importante ainda que a questão da estratégia da TAP para o Porto não é uma birra de alguém, mas uma questão nacional. Não para o turismo ou para o ego, mas para a economia de todo o país.
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