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Rui Pereira

Agir como europeus

Enquanto houver Estados com capacidade nuclear, temos de dispor de força dissuasora.

Rui Pereira 28 de Janeiro de 2017 às 00:30
Chegou o tempo de pensarmos na nova Administração norte-americana como europeus. O que não significa que não nos interessem as posições de Trump sobre mulheres, "hispânicos" ou jornalistas, na qualidade de cidadãos do mundo - que já assumimos há 2400 anos, com o grego Sócrates, muito antes de Colombo chegar ao "Novo Mundo" e de Dvorák lhe dedicar uma sinfonia.

Trump quer pôr a América primeiro, segundo diz. Independentemente de tudo quanto possamos pensar dele, não há razões para contestar a autenticidade das suas intenções. Isto apesar de a sua qualidade de empresário, de que tanto se ufana, e que não desapareceu por milagre com a eleição, criar suspeitas sobre as suas motivações quando defende entraves ao comércio livre.

A resposta mais adequada a esta atitude é pôr a Europa primeiro, sem cair no antiamericanismo. Em matéria de comércio, isso implica uma resposta simétrica e proporcionada aos obstáculos erguidos pelos EUA à entrada dos produtos europeus. Diversificar mercados e estabelecer acordos úteis com russos, chineses e outros "BRICs" pode constituir uma solução interessante.

Porém, é ainda mais preocupante a mensagem ambígua e dúplice da nova Administração dos EUA acerca da OTAN. Esta organização é um dos principais responsáveis pela "Pax Europeia", de que beneficiamos há sete décadas. Considerá-la obsoleta por causa do fim da guerra fria ou pensar que ela serve hoje, sobretudo ou apenas, para combater o terrorismo é equívoco grave.

Enquanto houver Estados com interesses divergentes ou contrapostos e capacidade nuclear, teremos de dispor de uma força dissuasora, como condição de manutenção da paz. Não tinham razão os que pregavam, durante a guerra fria, o desarmamento unilateral a pretexto da efetiva irracionalidade do conflito nuclear. Esse teria sido, decerto, o caminho mais curto para a servidão.
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