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Rui Pereira

Civilização, tolerância e barbárie

Se não formos firmes, estaremos a comprometer a democracia e a liberdade individual.

Rui Pereira 9 de Janeiro de 2015 às 00:30

É (erroneamente) atribuída ao cidadão François-Marie Arouet, aliás Voltaire, expoente máximo do Iluminismo e precursor da Revolução Francesa, uma afirmação que resume o pensamento político liberal: "Eu não concordo com uma palavra do que diz, mas defenderei até à morte o seu direito de a dizer". Mesmo quem não aprecie o seu humor deve ser amigo de Charlie.

O miserável atentado que matou doze pessoas em Paris exprime o horror do terrorismo: um relativismo moral que considera bons quaisquer meios para atingir "fins supremos" e manifesta um soberano desprezo pela vida humana. Devemos responder à barbárie com a civilização, sem ceder à tentação de instaurar a pena de morte ou praticar a tortura.

Mas todos nós – incluindo políticos e magistrados, polícias e agentes de informações, intelectuais e jornalistas – temos de ser firmes na prevenção e repressão de atentados terroristas. De outro modo, estaremos a comprometer o Estado de direito, a democracia e a liberdade individual, promovendo uma paradoxal autodestruição da prática da tolerância. 

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