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Rui Pereira

O prazo de Passos

Desengane-se quem pensa que nos partidos reinam os sentimentos de gratidão.

Rui Pereira 21 de Maio de 2016 às 01:45
Passos Coelho conduziu o PSD ao poder, formando uma coligação natural com o CDS. Governou em circunstâncias difíceis, quando era mais fácil gerar controvérsias do que consensos, mas logrou reeditar a maioria em modo relativo.

Porém, tal maioria não bastou para formar governo e Passos, em termos políticos, é um condenado à espera da sua hora no corredor da morte.

No jogo de espelhos da política portuguesa, António Costa continua a ser o oposicionista de serviço à ditadura de Bruxelas e dos mercados. Entretanto, Passos vagueia pela oposição como um rei sem trono: um político programado para o exercício do poder, ao qual retiraram o guião. Ninguém acreditará nas promessas contra a austeridade que seja tentado a apresentar agora.

Desengane-se quem pensa que nos partidos políticos reinam os sentimentos de gratidão. Tal como os seres vivos, os partidos obedecem a uma lei de autopoiese, formulada pelos biólogos Maturana e Varela e importada por Luhmann para as Ciências Sociais. São organismos orientados para a sua própria reprodução e dispostos a sacrificar tudo em nome desse desígnio vital.

No PSD, os críticos de sempre espreitam o Presidente da República pelo canto do olho e clamam com redobrado vigor pela demissão de Passos. Os seus admiradores de outrora já confessam em surdina que não veem outra solução. As bases, essa massa inorgânica que só quer a renovação para regressar ao poder, aguardam um milagre inesperado ou a derrota eleitoral futura.

Ao contrário de Seguro, Passos só será obrigado a abandonar a liderança após uma derrota eleitoral – que até poderá ser um fracasso clamoroso nas eleições autárquicas. De outro modo, o PSD estaria a reconhecer que António Costa tinha razão quando afirmou que Passos perdeu as eleições que pensava ter ganhado (e, pior do que isso, quando assumiu a chefia do governo).
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