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Rui Pereira

Primárias de Belém

Para o PS, talvez a solução mais lucrativa seja persistir no taticismo ou na indecisão.

Rui Pereira 25 de Julho de 2015 às 00:30
Fiquei dececionado por Guterres não se candidatar a Presidente da República. Não acredito em pessoas providenciais nem tenho idade para ser "ista" seja de quem for, mas Guterres reunia as qualidades requeridas: é íntegro, inteligente, socialmente sensível e tem experiência executiva e internacional. Mas foi menos recetivo ao interesse nacional do que ao gosto pessoal (a causa dos refugiados não convence, porque não seria difícil encontrar substituto).

A anunciada candidatura de Sampaio da Nóvoa tem virtudes óbvias. É um democrata, vem da Universidade e associa à sua formação cultural respeitáveis preocupações sociais. Todavia, o que fez já de politicamente relevante? Foi Reitor, o que não é de somenos importância, mas nunca sentiu a necessidade de participar mais intensamente na vida pública e não se lhe conhecem pensamento ou obra que deem indicações acerca do exercício do mandato presidencial.

Tudo isto é percecionado pelo PS, cujo apoio é condição necessária (embora não suficiente) da eleição de Nóvoa. Por isso, o Secretário-Geral do PS tem esperado que o tempo se encarregue de demonstrar que não há alternativa. Neste contexto, a "ameaça" de disponibilização de Maria de Belém Roseira introduziu um inesperado fator de turbulência. Para além da experiência política e governativa, a ex-Presidente do PS exibe índices de popularidade elevados.

Mas será uma candidatura bicéfala um mal para a esquerda? Não é certo. Roseira pode atingir um eleitorado de centro que não parece estar ao alcance de Nóvoa e este congrega fortes simpatias à esquerda do PS. Há, pois, boas razões para crer que a soma dos votos de ambos seja a melhor forma de forçar a segunda volta contra um candidato de direita que se apresente sozinho ou (também) acompanhado: Marcelo, Rui Rio, Santana ou (ainda) Durão Barroso.

A exceção à regra de o Presidente ser eleito (e reeleito) na primeira volta, protagonizada por Mário Soares, é assaz instrutiva. Quem garante que Freitas do Amaral não teria sido eleito numa primeira volta sem Zenha e Pintassilgo? Afinal, talvez a solução mais lucrativa para o PS seja persistir no taticismo ou na indecisão, pelo menos para já, se não até à segunda volta.

O tempo clarificará tudo, incluindo o que pensa cada candidato sobre o exercício do cargo.
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