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Rui Pereira

PS, Primárias e PSD

O PSD está condenado a replicar, mais tarde ou mais cedo, as primárias do PS.

Rui Pereira 18 de Setembro de 2014 às 00:30

Tem sido muito interessante observar o trajeto das eleições primárias no PS. A princípio, todos acharam que seria uma ideia bizarra e prejudicial. Porém, os resultados estão à vista. Inscreveram-se para votar cerca de 150 mil simpatizantes, atraídos pela disputa interna e, sobretudo, pela ideia de participarem na escolha de um primeiro-ministro. Se todos os militantes e simpatizantes votassem, a eleição do líder socialista contaria com um universo superior a 200 mil votos. Mas bastará metade desse número para alcançar um resultado histórico.

Não se sabe ao certo em que terá pensado António José Seguro quando se decidiu pelas primárias. Mas foi criticado de imediato: tais eleições não têm tradição em Portugal; os estatutos do PS não as preveem; era impossível organizá-las com tão pouca antecedência; o PS acabaria desgastado por uma prolongada disputa interna. Pois bem, as primárias revelaram-se uma rampa de lançamento para o PS e um palco para o seu líder.

Só é preciso que não defraudem as pessoas que acreditam ainda na democracia, apesar da saturação de quarenta anos de regime. No plano interno, é popular a ideia de que a proposta de Seguro é autofágica. Costa parece concitar mais apoios fora do partido. Talvez assim seja, mas custa a compreender que Seguro, com a sua experiência, não o tenha pressentido. A explicação que circula a esse propósito é inverosímil: Seguro quis ganhar tempo e tomou uma decisão emotiva e errática. Porém, a verdadeira explicação parece mais simples. Seguro quis exorcizar os fantasmas que dizem não ser ele o preferido do eleitorado socialista. Seja qual for o resultado da votação, conseguiu-o.

Talvez a principal razão do sucesso desta iniciativa resulte do nosso sistema constitucional, a que alguém já chamou "presidencialismo de primeiro-ministro" (repetindo o que Marcello Caetano dissera do governo de Salazar).

O primeiro-ministro é o principal ator da política portuguesa e sempre se tem dito que é escolhido por grupos restritos de pessoas: os chamados aparelhos partidários. Ora, as eleições primárias ajudarão a corrigir esse defeito do sistema. Por isso, o PSD está condenado a replicar, mais tarde ou mais cedo, as primárias do PS. 

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